Críticas destaques

Tomb Raider: A Origem | Crítica

22, mar, 2018 Eduardo Roberto

Filme: Tomb Raider: A Origem 

Original: Tomb Raider 

Ano de lançamento: 2018 (no Brasil) 

Gênero: Ação e Aventura. 

 

Sinopse: 

Lara Croft é a independente filha de um aventureiro excêntrico que desapareceu anos antes. Com a esperança de resolver o mistério do desaparecimento de seu pai, Lara embarca em uma perigosa jornada para seu último destino conhecido – um túmulo lendário em uma ilha mítica que pode estar em algum lugar ao largo da costa do Japão. As apostas não podiam ser maiores, pois Lara deve confiar em sua mente aguda, fé cega e espírito teimoso para se aventurar no desconhecido.

Nada como ainda jogar

O tão aguardado reboot foi lançado. Tomb Raider: A Origem. Antes mesmo de sua estreia o filme já deu o que falar, por já terem lançados filmes da mesma personagem só que com a atriz Angelina Jolie, o que muitos acham difícil de ser superado e atribuem o cargo da própria heroína a ela.   

Nos dias atuais, termos protagonismo feminino na frente das telonas é algo que vem sendo conquistado aos poucos, mas que ainda esses números precisam crescer muito mais. Só é triste ver que o filme não passa no Teste de Bechdel¹ e ainda assim é machista. 

É nos apresentado uma Lara (interpretada pela atriz vencedora do Oscar, Alicia Vikander), diferente da dos jogos dessa nova franquia. Diferente do primeiro jogo, onde sobrevivência é a base e o foco central da trama. No filme, a personagem até que já sabe se virar bem (por mais que vejamos sua derrota durante o treino) e está atrás do seu pai perdido há sete anos, onde o instinto de sobrevivência fica bem reduzido, ainda mais com a presença ilustre dele no filme, interpretado pelo ator Dominic West, que acaba dando todo o suporte necessário a personagem principal. Personagem desnecessário e que acaba eliminando a presença de personagens principais presentes no jogo, que poderiam ter dado um tom mais próximo do de sobrevivência esperado. Aproveitando ainda esse foco nos personagens, vale ressaltar o companheiro de viagem e dono do barco que ajuda a Lara, o Lu Ren, interpretado pelo ator Daniel Wu. Um perfeito vislumbre (do meu ver) de como seria caso os personagens do jogo caso estivessem presentes na trama. Ele é o personagem que esperava ver no filme. 

Viajando para a Ilha Yamatai, o trajeto até lá não acaba sendo fácil e nos proporciona ótimas cenas de ação da personagem. Uma logo assim que ela chega em Hong Kong e tem seus pertences roubados e a segunda cena no meio do Mar do Diabo, onde é como jogar o jogo. Te faz vibrar na cadeira para que a Lara saia às pressas do barco, junto do Lu Ren, mas ambos acabando se separando na tempestade. Já na ilha, quando se reencontram nas mãos do vilão sem graça, interpretado pelo ator Walton Goggins, outros grandes momentos são nos proporcionados. A cena da fuga de Lara pelo riacho e asa do avião (o que lembra demais o jogo, assim como as cenas seguintes), quando os batimentos cardíacos da personagem podem ser escutados enquanto tem uma arma apontada para ela ( o que seria ideal se adotassem a ideia de sobrevivência, para nos passar a tensão pela qual a personagem estava passando) e por fim a cena em qual a personagem está dormindo debaixo de uma pedra ( o que traz uma grande referência ao primeiro jogo). Admito que fiquei decepcionado por esperar grandes momentos do jogo que acabaram não entrando no filme. A famosa cena da torre de sinal e a cena onde a Lara estanca seu ferimento fazendo uma compensa com sua flecha (cena arruinada pela presença do pai). 

Referências, como já citado uma delas, estão por todos os lados no filme. Em flashbacks do passado de Lara com seu pai, onde podemos vê-la com sua famosa trança ou até mesmo já grande segurando suas duas fieis companheiras, suas armas. Há também, referências ao segundo jogo da franquia “Rise of the Tomb Raider“, que traz uma bagagem em peso ao filme, apresentando a Trindade e as inúmeras anotações de seu pai. O que nos deixa suspirando um ar já conhecido. Para reforçar essas referências, temos a fiel caracterização de Alicia Vikander, onde até o menor dos curativos esta presente.

Numa visão geral, o filme não é ruim, ainda mais para quem não jogou os jogos, seria um filme bacana para se assistir. Já para quem jogou e criou expectativas demais no filme, talvez ele não cumprirá 100% delas. Esperava mais, mas pagaria para assistir uma possível futura continuação.  

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¹Criado pela cartunista Alison Bechdel, em 1985, afins de mostrar como Hollywood sub-representa as mulheres, o teste se questiona se uma obra possui duas mulheres (com nomes) que conversam entre si e que o assunto não seja um homem. Se um longa passar nessas três etapas, o mesmo apresenta índices mais altos de igualdade entre gêneros. Vale ressaltar que o mesmo não vale apenas para o cinema, mas se aplica também para outras mídias.