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The OA | Crítica

09, jan, 2017 Kaio Arantes

Título: The OA
Temporada: 1 (8 episódios)
Ano: 2016
Gênero: Ficção, drama, suspense

Prairie é uma garota cega que desaparece por sete anos. Misteriosamente ela retorna, com diversas cicatrizes e sua visão restaurada. Aparentemente traumatizada, ela se recusa a contar à polícia ou a seus familiares o que aconteceu nesses anos. De forma improvável, Prairie acaba reunindo 5 pessoas distintas e praticamente sem relação para contar-lhes sua história.

Uma série que chegou de mansinho, sem nenhum alarde nem expectativa e de repente explodiu. Mais uma grande produção da Netflix a cair nas graças do público.
The OA é uma série com diversos aspectos de ficção científica, mas brinca também com o espiritual, o “além-vida”.
Um fato curioso é que o Brad Pitt faz parte da produção da série. Não aparece, ou algo do tipo, mas participa da produção.

Prairie reúne 5 personagens da trama, pra quem conta sua história. Estes são pessoas com problemas e essas reuniões os ajudam a lidar melhor com isso, como Steve, um colegial problemático. A série conta inclusive com uma personagem transgênero, mas não aborda tanto o assunto.
Com ótimos backgrounds e boas interpretações que acabam por cativar o espectador, são personagens que refletem a nós, os que assistem a série. Se concentram em ouvir os relatos de Prairie e, ao mesmo tempo, refletem se tudo aquilo é realmente verdade e aceitam de bom grado tudo o que a jovem lhes diz.
A série conta com nomes como Jason Isaacs, conhecido por interpretar Lucius Malfoy na saga Harry PotterScott Wilson, que participou de The Walking Dead.

 

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O roteiro em si é muito bom. É diferente do que se vê em séries e filmes, apesar do gênero já muito explorado. A história se baseia em dois momentos; o primeiro é quando Prairie está de volta à sua cidade, sendo cuidada pela família, e o segundo (e principal ao meu ver) se baseia nos acontecimentos passados da personagem, revelando o que acontecera em seu desaparecimento.
Um detalhe de extrema importância é que a personagem é um “Narrador não confiável“, recurso literário famoso aqui no Brasil, graças ao livro Dom Casmurro, onde fica aberta a questão “Capitu traiu Bentinho?“, já que quem conta a história é o próprio Bentinho, que não sabe a resposta. Na série, Prairie é vista como alguém traumatizado, com problemas psicológicos, então não dá pra saber ao certo se tudo o que ela diz é realmente verdade ou não passa de uma mentira feita por uma mente perturbada. É um bom recurso que deixa ao espectador interpretar e aceitar alguns pontos da trama.
Sem spoilers, o fim da série deixa esse aspecto bem nítido. Algumas coisas ficam sem resposta, o que pode deixar algumas pessoas insatisfeitas e algumas pessoas ansiosas para a segunda temporada.

Um ponto negativo é a falta de ritmo. Apesar de ter apenas oito episódios, a série acaba sendo meio lenta e a história se arrasta. Então, apesar de instigante e cativante, dificilmente The OA te fará querer maratonar, esquecer de seus afazeres e assistir os episódios em sequencia. Mesmo assim, faz o espectador pensar sobre diversos assuntos.
Fora isso, a produção da série é maravilhosa, com boa direção e uma ótima trilha sonora.

Em suma, é série muito boa e original, simplesmente não tem como saber o que vai acontecer. Tem alguns problemas como a falta de ritmo, mas compensa pelas atuações e o suspense.