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#Resenha: Voos e sinos e misteriosos destinos – Emma Trevayne

09, jun, 2015 Anna Furtado

   Livro: Voos e sinos e misteriosos destinos;

  Autora: Emma Trevayne

  Editora: Seguinte

  Páginas: 306

  Ano: 2014

  Gênero: Steampunk infanto-juvenil.

  Skoob × Editora × Extra

  A primeira coisa que podemos notar em Voos e sinos e misteriosos destinos é a capa, que diga-se de passagem é L-I-N-D-A! Com um acabamento soft-touch, semelhante à camurça, essa capa maravilhosa acrescenta um ar sombrio à nossa história que, assim como a capa, também não decepciona! Confesso que assim que vi o livro, já fiquei apaixonada porque tenho fixação por capas azuis (hahaha), mas a história, mesmo sendo infanto-juvenil, não deixa de surpreender.

Antes de falar sobre a história em si, quero explicar o que o gênero steampunk, que é o gênero do nosso livro. O steampunk é um gênero derivado da ficção científica, a principal característica dos livros desse gênero é que a história se passa na era vitoriana, e além disso, a tecnologia predominante é a vapor, que é mais avançada que a tecnologia elétrica. Isso significa que você vai ver muitas engrenagens, óleo, autômatos e muita fumaça. Então vamos lá.

A história se passa em Londres, onde o nosso protagonista, que se chama Jack Foster, passa suas férias. Jack pertence a uma família rica, cujo pai é dono de uma empresa e sua mãe, dona de casa da alta sociedade – a típica madame. E por decisão de seus pais, Jack frequenta um internato, e nas férias ele volta para Londres, onde seus pais moram. Jack é um garoto como qualquer outro: cheio de energia, curioso, ele quer saber como as coisas funcionam. Isso significa que Jack vai desmontar algumas coisas às vezes e se meter em muita encrenca.

Nestas férias, Jack está particularmente entediado, sua mãe vive dando festas das quais ele não pode participar e a única companhia que ele tem, às vezes, é a governanta que cuida dele. Jack não pode fazer barulho, Jack não pode brincar, daí você tira como é a vida do Jack. Até que, em uma noite, sua mãe recebe o Sr. Havelock, que é um mágico bastante misterioso que consegue fazer coisas incríveis que Jack nunca poderia imaginar. Jack fica imediatamente encantado e de certo modo, obcecado.

Em dado momento, Jack, que estava sedento por aventura como qualquer menino travesso entediado (hahaha), resolve seguir o Sr. Havelock através de uma porta secreta na torre do Big Bang. E é ai que a história começa! Jack vai parar em Londinum, um mundo paralelo à Londres, onde tudo era mágico, metálico, cheio de engrenagens e fumaça. Jack logo faz amizade com uma autômata e descobre que na cidade todo mundo tem uma parte que é feita de metal. E ele se dá conta de que ele é muito “rosa” se comparado com as pessoas dali.

Como toda cidade, Londinum tem também uma governante, e aqui está é a Senhora, uma mulher bastante temperamental e até assustadora que procurava um filho perfeito: alguém feito de carne de osso. É ai que Jack, quando começa a ser caçado, descobre que talvez Londres e sua família não fossem tão ruins assim hahaha! Bom, não vou dar mais spoilers!

Trevayne descreve Londinum, Londres e Jack com maestria e domínio! Me senti dentro da cidade, vendo o que Jack via e sentindo-se como ele. Cada vez que Jack ficava entediado eu ficava também, e quando ele foi em busca de aventura, fui também! Haha, o livro te prende do início ao fim, e a autora é muito cuidadosa nas descrições, para que os leitores não percam nem um pedacinho do universo steampunk.

Recomendo este livro para todas as idades, e principalmente para todos aqueles que desejam dar uma fugidinha dos clichês literários, para todos aqueles que querem mergulhar em um universo totalmente novo e viver uma história mágica. Nota 10.

E segue abaixo uma citação que amei:

Existem portas e existem portas. Do primeiro tipo, há muitas: em quartos, lojas, escolas, casas e salões. A maioria das pessoas passa a vida entrando e saindo das portas do primeiro tipo, batendo-as de vez em quando, ou então as fechando com o mais suave dos cliques. Elas nunca ficam sabendo das portas do segundo tipo, e, dependendo de quem essas pessoas forem, podem ficar contentes com isso ou não.