Resenhas

#Resenha: Tartarugas até lá embaixo, de John Green

06, jan, 2018 Wellington Rafael

Título: Tartarugas até lá embaixo
Autor: John Green
Ano: 2016
Editora: Intrínseca

Sinopse:Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas até lá embaixo. A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância -, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.

“Tartarugas até lá embaixo” é uma leitura que eu não consegui terminar em 2017 e terminou hoje. O novo livro de John Green é, sem dúvidas, o mais autobiográfico da sua carreira. Na obra conhecemos a história de Aza Holmes, uma garota de 16 anos que, assim como o autor, sofre com Transtorno Obsessivo Compulsivo – o famoso TOC.

Ocorre o misterioso sumiço do bilioná Russel Pickett e é ai que Aza e sua amiga Daisy, atraídas pela recompensa oferecida no valor de 100 mil dólares, vão tentar desvendar o que aconteceu. Sua primeira ideia é se aproxiar de Davis, filho do bilionário desaparecido e amigo de infância de Aza.

Nossa protagonista tenta o melhor que pode encarar essa vida adolescente sem surtar, conciliando as cobranças que sua mãe coloca em suas costas, sem contar escolas e amigos. Enquanto luta contra sua própria mente para se reconstruir com seu TOC.

Os personagens são todos muito bem construídos – você queria o quê? Estamos falando de John Green né nom? – os personagens secundários fortalecem a protagonista para o desenvolvimento da história. Daisy é muito mais que uma melhor amiga, ela escreve fanfics de Stars Wars e é tão irritante que você não consegue gostar dela – sério. Davis é um rapaz sensível que teve uma vida conturbada: sua mãe morreu, seu pai o abandonou, precisa cuidar de seu irmão, além de cuidar de seus próprios monstros dentro de si.

Aza tenta o melhor que pode navegar as águas turbulentas da adolescência, conciliando as cobranças e expectativas da mãe, dos amigos e da escola – enquanto luta o tempo inteiro para não ser completamente sugada pela espiral de pensamentos invasivos que a atormentam.

O autor usa uma linguagem de escrita que podemos criticar como “adolescente não falariam desse modo”, mas isso eu achei uma grande jogada do autor, pois mesmo com essa linguagem diferente, esses diálogos, o autor consegue transparecer as crises, angustias, tristezas e lutas da adolescência de uma maneira natural, sem deixar que nenhum personagem perca seu destaque e importância na história.

É um livro que entrou para a lista dos preferidos de 2017 sim. A abordagem do autor de forma delicada da doença mental, sem mentiras ou clichês sobre o assunto, é de conquistar qualquer um. Uma leitura gostosa, fácil e bem escrita e uma ótima oportunidade de conhecer um pouco das pessoas que vivem nesse mundo com essa doença.