Resenhas

Resenha | Persuasão – Jane Austen

15, mar, 2019 Laryssa

Título: Persuasão

Autor: Jane Austen

Editora: Zahar

Ano: 2012

Páginas: 360

Saiba mais: Skoob

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Sinopse: Último romance de Jane Austen, publicado poucos meses após sua morte, em 1817, Persuasão jamais foi superado por tendências de época, renovações estéticas ou modismos literários de qualquer tipo, mantendo-se um inabalável sucesso de público e crítica. Essa obra-prima ganha agora uma edição definitiva, com mais de cem notas explicativas e uma cronologia da vida e obra da escritora. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo. O romance é seguido ainda de duas novelas inéditas em português: “Lady Susan”, uma narrativa epistolar em que a personagem-título, uma aristocrata deliciosamente perversa, procura manipular a todos os parentes conforme seus interesses, e “Jack e Alice”, que se passa em uma festa a fantasia, onde, pouco a pouco, a identidade dos convidados vai sendo revelada. O romance se passa na Inglaterra rural, no início do século XIX. Anne Elliot, filha de Sir Walter Elliot, um vaidoso e esnobe baronete, apaixona-se por Frederick Wentworth, um jovem inteligente e ambicioso, mas sem tradições ou conexões familiares importantes. Por esse motivo, é persuadida pela família a romper com ele. Oito anos depois, Anne pensa com mais autonomia e maturidade e o destino fará com que seu caminho e o de seu grande amor se cruzem novamente.

 

Anne Elliott, é a adorável filha de 19 anos do baronete Sir Walter Elliot. Ela é noiva do ambicioso porém pobre marujo Frederik Wentworth. Persuadida por sua família, e por Lady Russell, Anne termina com o capitão. Passados oitos anos, a situação da Grã Bretanha no pós guerra atinge a família Elliott, que com problemas financeiros precisa alugar sua casa principal “Kellynch Hall”.  Anne agora com 27 anos precisa lidar com os novos inquilinos; Alugada pelo Almirante Croft, cunhado de ninguém mais que Frederik Wentworth, agora rico e bem sucedido, a propriedade começa a receber visitas regulares desse último, assim como a vizinha Louisa Musgrove, que passa a ser cortejada pelo mesmo.

Personagens: Anne é centrada, calma, inteligente inicialmente insegura e em vários momentos passiva, conforme ela amadure como mulher, em seu crescimento e devido aos acontecimentos, ela se mostra uma personagem admirável, característica de Austen. O baronete Walter Elliott já viúvo há algum tempo  pode ser considerado relativamente um pai regular, cego em sua arrogância só prioriza o próprio status social, e mede a importância dos outros em cima dos seus valores deturpados. Sendo o pai assim, as duas  irmãs de Anne, Elizabeth a mais velha e querida do pai – por sua beleza e semelhanças – Mary a mais nova, por ter conseguido “desposar” Charles Musgrove ( integrante de uma antiga família de renome da região, construíram sua fortuna em cima da exploração rural), herdaram o mesmo caráter, egoísta e arrogante, tornando o convívio e a compreensão familiar mutua difícil ou quase inexistente. Apesar disso Sir Walter sempre proveu todo o necessário para sua filhas e se manteve próximo a  Lady Russel – amiga íntima de sua falecida esposa, provendo assim um figura feminina para suas filhas, mas poupando-as de um segundo casamento por parte dele. Lady Russel por sua vez, respeitável e sábia, amava muito todas as meninas, assim como amava Lady Elliot, tem como sua favorita, a afilhada Anne, por sua gentileza e sabedoria.

 Capa, diagramação e escrita: A capa é extremamente genérica, mas tenho uma queda por “capas-duras”, a edição é comentada e preciso admitir que ela me deixam confusa, por motivos práticos e sem nexo comum…(sou do tipo que me concentra profundamente, e me incomoda parar para ler a notas de rodapé, elas “quebram” a continuidade da minha concentração; Mas para uma releitura acho uma função interessante). Eu sou apaixonada por Jane Austen então é difícil eu achar um defeito, me perdoem.  A escrita é lenta mas sutil e detalhada, lembrando a narração de Razão e sensibilidade e fazendo uma referência clara a passividade das protagonistas de ambas as obras, a escrita também possui um pouco do “rebuscamento” da época, mas Jane (assim como Agatha Christie) sempre contorna isso muito bem, e seus livros sempre me passam uma aura ligeiramente atual. Apesar disso, novos leitores podem sentir que isso torna a leitura arrastada, eu recomendaria a apreciação desse mesmo gênero, mas com escritores mais jovens em primeira estância

Concluindo: Ok, sei que todo mundo ama comparar tudo de Jane Austen com Orgulho e Preconceito, por favor parem. Tenho certeza que se você for um confeiteiro, um artista, um cirurgião ou seja o que for, não iriam gostar que comparassem tudo que vocês fizessem com o seu maior erro ou acerto, (de acordo com a visão geral). Eu gosto da obra dela ao todo e claro que tenho os meus preferidos, mas cada proposta literária que ela entrega é diferente e autoexplicativa; Ao mesmo tempo ela mantem os detalhes tão característicos dela em cada livro, como o amadurecimento tangente das personagens diante de crises, as relações e desigualdades sociais, assim como a guerra dos sexos e a objetificação da mulher, entre tantas outras coisas. Seu trabalho em persuasão é bem feito, e ela entrega as críticas e o romance que ela queria e em uma época em que isso estava muito longe de acontecer.