Resenhas

#Resenha: O Navio Arcano, de Robin Hobb

17, fev, 2018 Wellington Rafael

Título: O Navio Arcano
Autor: Robin Hobb
Editora: Leya
Ano: 2017

Sinopse: Uma das mais celebradas e cultuadas autoras contemporâneas de literatura fantástica (um de seus maiores fãs é George R.R. Martin, de A guerra dos tronos), Robin Hobb, autora da “Saga do Assassino”, retorna ao universo ficcional conhecido como Reino dos Antigos com a trilogia “Os Mercadores de Navios-Vivos”. No primeiro volume, O navio arcano, Robb faz referências a clássicos como Moby Dick, de Herman Melville, e Mestre dos mares, de Patrick O’Brian, para conduzir o leitor por uma aventura marítima repleta de magia. A narrativa apresenta a história de um orgulhoso grupo de famílias que navega por mares bravios repletos de piratas e serpentes a bordo de seus navios-vivos – embarcações raríssimas e mágicas feitas de madeira-arcana, capazes de adquirir vida própria. Raros e valiosos, eles têm uma ligação íntima com a família que os comprou originalmente, e sua vida só é despertada depois que três membros de gerações seguidas morrem em seu convés. Ao longo dos anos, os Velhos Mercadores de Vilamonte tiveram sua riqueza dilapidada pelas guerras ao norte e pelas pilhagens dos piratas ao sul, e agora ainda precisam lidar com o aparecimento de Novos Mercadores, que pretendem abalar o tênue equilíbrio existente entre Vilamonte e os Ermos Chuvosos. A única esperança de renovar a prosperidade da família Vestrit, uma das mais antigas de Mercadores da região, é Vivácia, uma embarcação que está com eles há gerações e prestes a se tornar um navio-vivo. A bordo dela navega a filha do capitão, Althea Vestrit, abalada com o estado de saúde do pai, mas ansiosa pelo despertar do navio que tanto ama. Enquanto isso, o ardiloso pirata Kennit anseia por obter seu próprio navio-vivo. Já bem familiarizado com o poder da madeira-arcana, ele tem planos bem específicos para sua futura embarcação… E não medirá esforços para conquistá-la.

Vocês não tem noção de como eu demorei pra ler esse livro – não, não porque é ruim, longe disso – porque ele é enorme e eu não queria que acabasse! Eu conheci a autora Robin Hobb pela sua outra trilogia, a Saga do Assassino, composta por O Aprendiz de Assassino, O Assassino do Rei, A Fúria do Assassino. Pra quem conhece, “O Navio Arcano” se passa dentro do mesmo universo, mas em outra parte do mundo. Mas a autora tem uma estrategia incrível que junta tudo, os Seis Ducados, da trilogia do Assassino, é mencionado nessa história, fora outros personagens de outras sagas que no final coexistem e se completam.

É uma leitura que trouxe muitas novidades pra mim, que estou acostumado com outro cenário de leitura. É incrível quando uma história se passa fora do que você está acostumado, ou seja, no mar. Mergulhar nesse mundo foi novidade pra mim, aprendi muita coisa, muitos nomes, locais, terminologias, acontecimentos em alto mar. Robin Hobb escreve magnificamente bem, ao final da leitura, eu fechava os olhos e queria me teleportar para o mar.

A autora usa de uma escrita repleta de reflexões e pensamentos profundos. Mesmo em partes da história que não há nenhum acontecimento interessante ocorrendo, ela usa de uma forma poética para descrever a cena, o lugar, os personagens. A leitura não é rápida, a autora é detalhista, porém não é cansativa ao extremo, mas suas 800 páginas compensam a viagem pelos mares.

Entre o começo da narrativa e seu fim, se passam quase dois anos. Os personagens são extremamente bem construídos e você consegue acompanhar a evolução deles durante e leitura – o que é algo que aprecio muito em um livro – as navegações são demoradas e os acontecimentos são longos, o que faz você apreciar bem cada personagem e suas atitudes. Um ponto curioso da leitura é que em um certo momento a história é contada pelo ponto de visto de Serpentes Marinhas, que são criaturas fortes e sabem o que querem. Outra curiosidade é que a autora descreve bem sobre a escravidão ao decorrer do livro, pois os navios de escravos é uma realidade na história, onde é mostrado como eles são tratados ao longo da jornada. A que ponto vai o poder de um ser humano sobre o outro? O mais forte sempre sobrevive no final?

Sobre os personagens: Você vai do amor ao ódio, da admiração a desprezo. Althea é um tipo de pessoa com personalidade forte, que é cheia de privilégios mas vai se desfazendo deles, cheia de coragem em um momento, covarde no momento seguinte, é uma montanha russa. Enquanto isso, Kennit foi uma surpresa. Achei que ele seria um vilão, até tem atitudes que levam a pensar isso, porém é um personagem inteligente, silencioso e astuto. Acho que tem muito mais por vir.

O Navio Arcano foi uma leitura gostosa, mesmo que lenta. Pra quem é fã de fantasia é uma recomendação com certeza.