Resenhas

#Resenha: O Misterioso Caso de Styles, de Agatha Christie

01, jun, 2018 Paulo Guerra

Título: O Misterioso Caso de Styles

Autor: Agatha Christie

Ano: 1920

Páginas: 288

Editora: Globo Livros

Sinopse: No meio da madrugada, a rica proprietária da mansão Styles é encontrada morta em sua cama, aparentemente vítima de um ataque cardíaco. As portas do quarto estavam trancadas por dentro e tudo indicava morte natural. Mas o médico da família levanta uma suspeita: assassinato por envenenamento. Todos os hóspedes da velha mansão tinham motivos para matar a Sra. Inglethorp e nenhum deles possuía um álibi convincente. Para solucionar o crime entra em ação o detetive Hercule Poirot, irresistível personagem criado por Agatha Christie, que faz a sua estréia neste caso intrigante. Um marco da literatura policial e um dos maiores romances do gênero.

Mrs. Inglethorp é a rica proprietária da famosa e abastada mansão Styles. Certa noite, é encontrada morta dentro de seu quarto. Com as portas trancadas por dentro e nenhum indício aparentemente relevante, a suspeita é de que ela foi vítima de um ataque cardíaco. Tudo parecia resolvido, até que o médico da família levanta a hipótese de um possível envenenamento. A dúvida, então, paira no ar – Mrs. Inglethorp foi ou não assassinada? E se o foi, quem o teria feito? Como romance de estreia de Agatha Christie, esse será o primeiro caso a ser desvendado por Hercule Poirot, clássico detetive criado pela autora inglesa.

O livro, como em muitos outros escritos por Agatha, é narrado pelo companheiro de Poirot, mr. Hastings, o qual acompanha de perto o caso e até mesmo auxilia o nosso querido detetive na busca pela solução do crime.

Os personagens de O Misterioso Caso de Styles são muito bem construídos. A família da vítima e os criados da casa são em grande número, e todos contemplaram o ocorrido na noite trágica. Assim, por não haver provas suficientes para incriminar algum deles de imediato, todos se tornam suspeitos pela prática do crime. Essa nuvem de incerteza que paira sobre a casa faz com que cada personagem revele um pouco de si, já que todos são investigados. Dissimulação, egoísmo, frieza e insensibilidade são alguns dos traços evidenciados por cada um deles. Isso tudo promove uma relação mais próxima do leitor com a história e contribui para uma boa ambientação da narrativa.

Entretanto, existem alguns pontos do livro nos quais, ao meu ver, a autora falhou. Longe de criticar Agatha Christie. Me refiro aqui há alguns aspectos desse livro em específico que não agradaram. Primeiro, é um romance policial no qual muita informação é lançada para o leitor, o qual fica literalmente perdido na história por não conseguir acompanhar as pistas que vão sendo descobertas e muito menos a solução do crime. Bem sabemos que o gênero policial é marcado por inúmeras pistas e informações que favorecem o mistério da história, mas nesse livro, especificamente, houve um certo exagero.

Mais do que isso, o suspense criado pela autora não foi de fato envolvente. A solução do crime é feita de forma muito rápida, e muitos outros pontos que mereciam uma certa “calma” são explorados de forma muito dinâmica. E, de certa maneira, o andamento da narrativa é essencial para a produção de um bom suspense.

Desse modo, é uma obra que oferece uma leitura agradável, mas que não prende o leitor até as últimas páginas, como ocorre nos romances policiais clássicos. Indico a leitura, sim, pois não é um livro ruim de todo, mas não seria uma narrativa indicada, por exemplo, a alguém que quer começar a ler Agatha Christie – para estes, recomenda-se outros livros da autora que encantam do início ao fim.