Resenhas

#Resenha: O Homem de Giz, de C.J Tudor

13, jul, 2018 Wellington Rafael

Livro: O Homem de Giz
Autor: C.J Tudor
Editora: Intrínseca
Ano: 2018

Sinopse: Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes. Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás. Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.

“O Homem de Giz” é um livro tenso e assustador onde a história se passa em dois períodos de tempo: em 1986, quando o protagonista é criança e em 2016, 30 anos depois. Conhecemos a história de Eddie, Gav, Nicky, Hop e Michey que se passa em Anderbury, uma cidade pequena. Uma vida de crianças normais, escola, família, crises da idade e conflitos. Se envolvem em todo tipo de brincadeiras e aventuras, até criam um modo secreto de se comunicarem: desenhando homens de giz no chão, assim todos saberiam onde se encontrar e de quem era a mensagem. Porém, um dia, tudo muda quando uma mensagem de giz misteriosa aparece e todos são levados até o bosque da cidade, onde encontram um corpo completamente mutilado. A vida deles nunca mais é a mesma.

“ ‘OS IDIOTAS CORREM PARA ONDE OS ANJOS TÊM MEDO DE PISAR.’”

A história é contada em primeira pessoa – particularmente eu gosto, faz eu me envolver mais com o personagem – e quem nos conta a história toda é Eddie. Em 2016, Eddie está com 42 anos e não tem mais tanto contato com Nicky e Mickey e Gav e Hoppo, apesar de morarem próximos, ainda são bem distantes. Eddie se tornou um homem fechado, alcoólatra, professor e que trabalha mais que o necessário para não precisar deixar a mente desocupada. Aos 42 anos Eddie é reflexo do que aconteceu em sua infância, não só ele, como todo seu grupo de amigos e precisa conviver com fantasma todos os dias. Depois daquele dia em 1986 o que aconteceu? Porque ela? Quem fez isso? Eram tantas perguntas com respostas bem embaixo de seus narizes.

C.J. Tudor consegue em apenas uma obra abortar temas como sexualidade, estrupo, assassinato, crise familiar, abordo etc. Uma leitura que faz com que o leitor também seja cúmplice de assassinato, cúmplice dos abusos e se envolva na história de uma maneira incrível.

É uma obra de leitura rápida e que prende você do começo ao fim, com personagens bem construídos e como é em primeira pessoa você consegue compartilhar das emoções de Eddie quando era criança e depois de tantos anos também. O mistério prevalece durante toda a leitura e você começa a pensar que não haverá um final digno, porque os suspeitos são tantos. Uma história de reviravoltas grandes e revelações de segredos assustadores. Gosto de quando o autor cria personagens com uma personalidade em que você pensa “esse é inocente” e durante a história mostra que nem tudo é o que parece, ou melhor, nem todo mundo é o que demonstra ser.

“A maioria das pessoas tem muitos amigos. E uso o termo “amigos” informalmente. “Amigos” virtuais não são amigos de verdade. Amigos de verdade são outra coisa. Amigos de verdade ficam do seu lado a qualquer custo. Amigos de verdade são pessoas que você ama e odeia na mesma medida, mas que são parte de você tanto quanto você mesmo. ”

 

Não posso deixar de destacar sobre a edição que está impecável. Lançado pela Editora Intrínseca, é digno de colecionador. Capa dura e com folhas pretas no inicio de cada capitulo, deixando um livro dark.

“O Homem de Giz” entrou com certeza nos melhores de 2018. Uma leitura que fiz em apenas 3 dias e – por favor não me julguem – mas passaria fácil por uma obra escrita por Stephen King. SIM GENTE, É ATERRORIZANTE!

“Minha vida foi definida pelas coisas que não fiz, pelas coisas que não disse. Acho que o mesmo acontece com várias pessoas. Nem sempre o que nos molda são as nossas realizações, e sim as nossas omissões. Não necessariamente as mentiras, apenas as verdades que não dizemos.”