Resenhas

#Resenha: O Construtor de pontes, de Markus Zusak

02, abr, 2019 Wellington Rafael

Título: O Construtor de Pontes
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Ano: 2019

Sinopse: “Cinco irmãos perdem a mãe e são abandonados pelo pai. Crescem juntos, cuidando uns dos outros, numa casa bagunçada no subúrbio de Sydney. Um deles narra a história de O construtor de pontes, novo romance do escritou australiano Markus Zusak. Refugiada da Europa Oriental, Penélope Lesciuszko conhece Michael Dunbar, que assim como ela tem suas obsessões artísticas, e juntos eles têm cinco filhos: Matthew, Rory, Henry, Clayton e Thomas – os quais o leitor encontra, logo de cara, mergulhados numa atmosfera de caos e anarquia. “Falávamos palavrões que nem condenados, brigávamos feito cão e gato e travávamos batalhas épicas na sinuca ou pingue-pongue, nos dardos, no futebol, no baralho. Nossa TV estava cumprindo prisão perpétua. Nosso sofá pegou anos”, desabafa Matthew.

Cada irmão Dunbar tem uma particularidade: Matthew é o cara durão que toma conta de tudo; Rory é o mais bruto, tido pelos outros como invencível, “um rolo compressor humano”; Henry é fascinado por garimpar objetos em vendas de garagem e por ver filmes em casa; Clay, o protagonista, é o mais enigmático, sempre se preparando fisicamente para uma tarefa que parece não chegar nunca; e o mais novo Tommy, tem o hábito de levar para casa os mais improváveis animais de estimação. O romance ganha fôlego logo no início, quando Michael retorna à casa dos filhos, como o Odisseu do poema grego. A essa altura, os filhos o renegam

Eu fui com uma expectativa gigantesca na leitura desse livro, principalmente por ele ser do autor de “A Menina que roubava Livros” e acabei morrendo na praia, se você quer saber. Claro,um livro atingi cada pessoa de uma maneira diferente, para tantas outras resenhas que li e pessoas que conversei, foi uma leitura incrível, já pra mim, um pouco frustrante, talvez. Mas não quer dizer que a história seja ruim. Nesse livro conhecemos os irmãos Dunbar: Matthew, o narrador, o mais velho. Rory, o rolo compressor humano; Henry, o cara do dinheiro. Clayton, mais conhecido como Clay, ou o sorridente. E, por fim, Tommy, colecionador de bichos. O primeiro elemento que identificamos é o narrador em terceira pessoa. Desta vez, a história é contada por Matthew, o irmão Dunbar mais velho, e não pela Morte, como em “A Menina que roubava Livros”. Lá, somos levados a história por uma figura que tudo vê, tudo sabe, a morte. Já aqui, Matthew nos leva durante a narração a perceber que ele é bem reflexivo, que em certos momentos, ele parou para analisar tudo, ele não pode ver tudo, mas especulava sobre tudo, principalmente sobre Clay, nosso protagonista.

Na história, os irmãos vivem sozinhos e são como todos os irmãos normais: discutem e se amam. A história toma um rumo diferente quando alguém do passado volta para a vida deles e pede a ajuda para construir uma ponto, onde apenas Clay aceita ajudar. Em uma narrativa que chega a ser cansativa no começo, o autor nos leva a uma história sobre amor, passado, escolhas erradas, clássicos e família. A escrita em momentos muito bonitos, quase poéticos, mas acho que Zusak poderia ter contado essa história de uma maneira mais dinâmica.

“Menos de cinco minutos antes, ele dissera a si mesmo que não era nem filho nem irmão, mas ali, envolto nos últimos fiapos de luz e diante do que parecia a boca de um gigante, toda a sua pretensão em relação a si mesmo desapareceu. Pois como se vai até seu pai sem ser um filho? Como se deixa o próprio lar sem reconhecer de onde se vem? As perguntas o atropelaram rumo à outra margem do rio.”

Confesso que demorei para imergir no livro e acho que o problema foi que a narrativa é um pouco estranha e confusa, pois o leitor é constantemente jogado em cenas sem muito contexto no começo, onde a explicação vinha bem, bem depois. A troca de pontos de vista também me cansava um pouco, deixando a leitura mais lenta. Depois tudo se encaixava e fazia sentido, mesmo eu tendo uma visão positiva do livro, a leitura foi bem puxada. Particularmente, entre esses dramas, me apaixonei pela personagem Penny Dunbar (Penélope Dunar), a qual foi muito bem construída e trabalhada por Zusak, e também ler a respeito do estranho modo pelo qual irmãos demonstram seu amor entre si. Isso foi um ponto que o autor deixou bem claro e escrito.

“O construtor de pontes” é uma história de amor entre irmãos, de busca de uma verdade, busca de identidade e de muita saudade.