Resenhas

#Resenha: Deuses Americanos, de Neil Gaiman

06, jan, 2018 Wellington Rafael

Título: Deuses Americanos
Autor: Neil Gaiman
Ano: 2017
Editora: Intrínseca

Sinopse: Deuses americanos é, acima de tudo, um livro estranho. E foi essa estranheza que tornou o romance de Neil Gaiman, publicado pela primeira vez em 2001, um clássico imediato. Nesta nova edição, preferida do autor, o leitor encontrará capítulos revistos e ampliados, artigos, uma entrevista com Gaiman e um inspirado texto de introdução. A saga de Deuses americanos é contada ao longo da jornada de Shadow Moon, um ex-presidiário de trinta e poucos anos que acabou de ser libertado e cujo único objetivo é voltar para casa e para a esposa, Laura. Os planos de Shadow se transformam em poeira quando ele descobre que Laura morreu em um acidente de carro. Sem lar, sem emprego e sem rumo, ele conhece Wednesday, um homem de olhar enigmático que está sempre com um sorriso no rosto, embora pareça nunca achar graça de nada. Depois de apostas, brigas e um pouco de hidromel, Shadow aceita trabalhar para Wednesday e embarca em uma viagem tumultuada e reveladora por cidades inusitadas dos Estados Unidos, um país tão estranho para Shadow quanto para Gaiman. É nesses encontros e desencontros que o protagonista se depara com os deuses – os antigos (que chegaram ao Novo Mundo junto dos imigrantes) e os modernos (o dinheiro, a televisão, a tecnologia, as drogas) -, que estão se preparando para uma guerra que ninguém viu, mas que já começou. O motivo? O poder de não ser esquecido. O que Gaiman constrói em Deuses americanos é um amálgama de múltiplas referências, uma mistura de road trip, fantasia e mistério – um exemplo máximo da versatilidade e da prosa lúdica e ao mesmo tempo cortante de Neil Gaiman, que, ao falar sobre deuses, fala sobre todos nós.

“Deuses Americanos” era um presente que eu havia pedido para dar a uma pessoa, porém, acabei não dando e decidi ler. Você acredita em Deus? Em destino? Em algum coisa? Neil Gaiman nos leva a uma lista de reflexões e questionamentos sobre as crenças nesse livro.

Na história conhecemos Shadow que está para sair da prisão, após ter cumprido sua pena de três anos e rever sua esposa, Laura. Porém, uma semana antes de sair da cadeia, Shadow recebe uma notícia que muda sua vida pra sempre. No meio disso tudo, ele conhece Wednesday que lhe oferece um emprego tentador, porém, com várias condições e uma delas é Shadow se submeter totalmente a ele. E a partir dai a história começa a se desenvolver, onde Shadow encara o fato de que o mundo que ele conhecia já não existe mais e que há algo muito maior, misterioso e perigoso fora da prisão. Ele vê que os deuses não somente existem de fato, como o mundo depende deles.

“Deuses Americanos” foi minha segunda aventura no mundo de Neil, eu li a muito tempo atrás “O Oceano no Fim do Caminho” e já estava esperando algo diferente do autor, pois seu método de escrita é diferente de todos que já vi. Fui levado a um mundo completamente arrebatador que eu desconhecia totalmente. É uma leitura eletrizante, cheio de especulações, fria, cruel e interessante escrita por Neil. Eu acho a escrita de Neil um pouco cansativa as vezes e nessa obra não foi diferente – mas quem sou eu para questionar um autor tão aclamado, né? – não é uma leitura fácil, rápida e de fácil entendimento. Porém, você se sente forçado a continuar a leitura até o fim pois sua curiosidade não o deixa parar – pelo menos a minha não deixou – queria ver até onde ia a criatividade do autor.

De uma coisa preciso te avisar se você quer ler essa obra: esqueça tudo o que acha que sabe sobre mitologias, sobre deuses e tudo o mais. O autor destrói todas as ideias, formas, pensamentos, ideias e conhecimento que achamos que temos sobre esse assunto, uma jogada de mestre. Acaba com mitos e religiões e expõe o lado frígido, grotesco e escandaloso dessas divindades. Nosso personagem principal, Shadow, é muito bem construído e é muito mais que o protagonista, é alguém para amar e odeias, admirar e desprezar. Neil deixou o personagem alguém sem expectativas de emoções, sentimentos ou carisma. Porém, é possível sim se identificar com o personagem, pois ele revela também muitas fraquezas e uma vulnerabilidade que nós temos, mas não identificamos rapidamente – ou apenas fingimos que elas não existem.

Essa obra não é só uma história com começo, meio e fim daquelas que estamos acostumados, é realmente uma crítica em que admiro a coragem do autor em tê-la escrito. Bem construída e desenvolvida, “Deus Americanos” veio para quebrar tabus. Os deuses apresentados nos representam sim e o melhor, são criados por nós mesmo. Nesse mundo, os deuses perdem aquele peso de poderosos e de superioridade e se corrompem com o comportamento humano. Criam uma guerra entre si que é o grande enredo do livro. O autor não nos priva de nada, expõe tudo e de uma maneira que te deixa aguçado a querer mais.

“Deuses Americanos” não é um livro para aqueles que esperam um final feliz. Acredito que a intenção do autor não é te dar uma religião ou crença nova e sim mostrar que sua mente é tão pequena, que você necessita ver a realidade, seja ela tão cruel como é.