Resenhas

#Resenha: “Caixa de Pássaros”, de Josh Malerman

16, fev, 2015 Wellington Rafael

Título: Caixa de Pássaros
Autor: Josh Malerman
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Estrelas: 5

Sinopse: Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.

Resenha:

Bem, eu já quero deixar claro que quando chegar o final do ano e fizermos aquele tipico post de “Os Top10 de 2015” o livro “Caixa de Pássaros” estará na minha lista! Eu li o livro em 3 dias e: UAU! QUE LIVRO É ESSE? Me fez tremer de medo e juro, tive pesadelos.

Tem alguma coisa lá fora. Esperando por você, em todos os lugares. Ninguém sabe o que é, quem é ou qual sua forma, porque quem viu, não viveu pra contar a história. Só se sabe que é letal. Há algo lá fora esperando para enlouquecer você e fazer você cometer atos horríveis: fazer você se mutilar, se suicidar. Basta apenas um segundo, um mínimo descuido e tudo está terminado. Basta ver “aquilo” e você está perdido. Quer ficar em segurança? NÃO ABRA OS OLHOS! Para nada. Vai sair? Use uma venda. Tape as janelas com cobertores, tábuas, o que encontrar. Construa barricas, não deixe um sequer buraco de claridade aparecer, você não pode ver a luz do mundo lá fora. Esconda-se, não saia de casa, não olhe pela janela. Viva todos os dias com medo, na escuridão de uma casa. Essa é a vida em “Caixa de Pássaros”, a única regra é: NÃO ABRA OS OLHOS – se quiser sobreviver.

Cinco anos se passou desde o inexplicável surto começou, agora Malorie e os dois filhos têm de enfrentar o desconhecido para salvar suas vidas. Uma viagem literalmente no escuro, sem abrir os olhos, onde qualquer errinho, pode mata-los. Esse é um daqueles livros onde você sente o desespero dos personagens.

“Na calçada, um casal passa com o jornal cobrindo o rosto até as têmporas”. Alguns motoristas dirigem com os retrovisores virados para cima. Distante, Malorie se pergunta se aqueles são sinais de que a sociedade está começando a acreditar que há algo de errado. E se houver, o que é?”… “Um homem no fim do corredor abre uma caixa de curativos. Então põe um deles sobre o olho.”

A história é meio que dividida, ela se passa entre o presente e o passado. Grande parte da trama é narrado pelo ponto de visa de Malorie, desde quando ela descobre que esta gravida, dos rumores a respeito dos acontecimentos horríveis de suicídios das pessoas, até encontrar-se com o presente, onde elas e os filhos tentam atravessar vendados, um rio para salvar suas vidas. É tudo muito rápido, o ritmo da leitura é constante, meio que claustrofóbico. Não dá para parar de ler, você se envolve na história e principalmente com Malorie. O clima de desespero e medo só aumenta em cada página.

Uma coisa que vale a pena destacar e que gostei muito, é que a história não retrata só as “criaturas” que estão lá fora, não fala só deles, retrata bem os seres humanos, como uma coisa dessas pode mudar o mundo e principalmente uma pessoa, no que pode transforma-la psicológica e emocionalmente, detalha bem os desesperos dos personagens, como cada um se sentiu e o que fazia para poder sobreviver. Mas digo que o autor teve muita criatividade, porque só de pensar em um local assim, já me dá calafrios.

“Ele poderia ter entrado em qualquer momento. Poderia ter quebrado uma janela. Poderia tê-la atacado quando ela ia pegar água no poço. Por que esperaria? Sempre seguindo, sempre rondando, só que ainda não estava pronto para atacar.”

Eu não estava acostumado a ler livros de terror, esse foi minha estreia e eu gostei demais! O autor explora um mundo diferente do que estamos acostumados a ver como “terror”. Apocalipse zumbi? Extraterrestre? Não, quem precisa disso? Josh explora o mundo da escuridão, dos ruídos, dos sussurros e barulhos, qualquer coisa pode significar seus últimos instantes de vida, qualquer batida na porta ou galho quebrando, é de ter pesadelos.

Se você é daqueles que gostam de um final revelador, em que tudo fica esclarecido, então não leia esse livro. Eu esperei por algo que não chegou, talvez por uma conclusão – não que o livro não tenha um final, ele tem – porém esperei saber mais das coisas, mas isso não aconteceu, porém, percebi que não era isso que importava, o autor deixou claro ao decorrer da história que o intuito dele era de deixar aterrorizado e e levar até o final – o que conseguiu – mas não prometeu um final épico. Mas a história em si me consolou desse final decepcionante. Mas eu posso concluir pra vocês como me sinto depois de ler “Caixa de Pássaros”: Nunca mais vou ouvir barulho de pássaros da mesma maneira.

“Remar vendada é ainda mais difícil do que Malorie havia imaginado. Já aconteceu de muitas vezes o barco bater nas margens e ficar preso por vários minutos. Durante esse tempo, ela foi tomada por imagens de mãos invisíveis tirando as vendas dos olhos das crianças. Dedos emergindo da água, surgindo da lama das margens.”

Bem, recomendo MUITO vocês lerem. A Editora Intrínseca nos mandou um exemplar de cortesia e valeu a pena, espero que tenham despertado em vocês o interesse, porque, na boa, nunca passei tanto medo com um livro.

Só tenho uma coisa para te relembrar a partir de hoje:

NÃO ABRA OS OLHOS!