Resenhas

#Resenha: Boy Erased: Uma Verdade Anulada, de Garrard Conley

02, abr, 2019 Wellington Rafael

Título: Boy Erased: Uma Verdade Anulada
Autor: Garrard Conley
Ano: 2019
Editora: Intrínseca

Sinopse: Em seu elogiado livro de estreia, Garrard Conley revisita as memórias do doloroso período em que participou de um programa de conversão que prometia “curá-lo” da sua homossexualidade. Garrard — filho de um pastor da igreja Batista, criado em uma cidadezinha conservadora no sul dos Estados Unidos — foi convencido pelos próprios pais a apagar uma parte de si. Em uma tentativa desesperada de agradá-los e de não ser expulso do convívio da família, ele quase se destruiu por completo, mas encontrou forças para buscar sua identidade e hoje é ativista contra as terapias de conversão.Tocante e inspiradora, a história de Garrard é um acerto de contas com o passado, um panorama complexo das relações do autor com a família, com a fé e com a comunidade. O livro é o testemunho dos traumas e das consequências de se tentar aniquilar parte essencial de um ser humano.

Um livro que mexe na ferida. Polemico! Uma leitura que fala sobre o preço da liberdade e nos faz pensar o quanto somos ingratos e hipócritas e como temos o privilégio de vivermos como vivemos hoje.

Boy Erased fala sobre como uma pessoa pode fazer de tudo simplesmente para agradar outra. O livro fala do lado homossexual, mas podemos levar para diversos lados da vida. É como se a nossa mente mesquinha e pequena se fechasse dentro de uma bolha, onde ela vai diminuindo o ar até o momento em que você sufoca.  Como a religião pode moldar um individuo simplesmente porque ela diz que algo não esta certo. Como a família pode influenciar sua vida inteira, fazendo você viver de uma falsa fé e fazer o que não quer fazer.

Garrard Conley trás suas memórias e desabafa, entregando o seu lado doloroso, por ter passado quando ainda adolescente uma experiência internado, fazendo terapia de reorientação sexual. O livro nada mais traz do que uma narração de tortura psicológica que é feita em um processo de progressão e regressão, alguns intitulando como “cura gay”. Os traumas descritos são fortes e reais. Nomes de personagens foram alterados para não comprometer ninguém, situações moldadas para se encaixar na história, mas a dor mostrada nas páginas, a agonia citada pelo personagem nada mais é do que muitos podem estar passando, quando choram, gemem de dor e até adoecem por não ser o que são. Por serem manipulados.

Conley é muito simples em sua escrita, mesmo que a ficção entre no meio em determinados momentos para repassar um choque ao leitor. A leitura é um pouco confusa, tem de se explorar bem cada página. O presente e o passado na narrativa não foi muito bem aproveitado, para terminar o livro vai depender da sua boa vontade. Em alguns momentos me cansei, parei um pouco e fiquei refletindo o que realmente o autor estava sentindo. O livro é um grito de socorro por muitos que choram, mas não desistem de viver.