Resenhas

Resenha: Baseado em Fatos Reais, de Delphine de Vigan

03, out, 2016 Wellington Rafael

Título: Baseado em fatos reais
Autora: Delphine de Vigan
Editora: Intrínseca
Ano: 2016

#Sinopse: Após o grande sucesso de seu último livro, em que revelava perturbadores segredos familiares, Delphine se vê diante da temível pergunta: o que vem depois de um texto tão pessoal, que comove tantos leitores? A inércia. O sucesso a fragiliza a tal ponto que a deixa completamente vulnerável. Ela não consegue mais escrever nem uma linha, nem sequer se sentar diante do computador ou segurar uma caneta. Está esgotada, e vive assombrada pela pressão da próxima obra. Tomada pelo bloqueio criativo, o sentimento de impotência e isolamento permeiam constantemente sua vida: os filhos gêmeos, Louise e Paul, estão prestes a sair de casa para seguir o próprio caminho e ingressar na universidade. Além disso, seu namorado, François, é um famoso jornalista e apresentador de um programa de crítica literária e está sempre viajando para o exterior. A instabilidade emocional de Delphine ainda é agravada pelas cartas de teor bastante violento que recebe de um remetente anônimo, ameaçando-a por ter exposto publicamente sua família. Nesse cenário de fragilidade, Delphine conhece L., uma mulher sofisticada, confiante, feminina, carismática e atraente. Tudo o que ela sempre desejou ser. L. parece ter um passado misterioso, trabalha como ghost-writer, e entra de modo insidioso na vida da escritora, que vê na amizade uma forma de superar seu bloqueio criativo. L. é a amiga perfeita, sempre disponível, e logo passa a interferir nos aspectos mais íntimos da vida de Delphine. O domínio de uma sobre a outra é inesperado. A conexão entre elas parece… inacreditável.

FINALMENTE! Com tantas estudos e correria da vida adulta finalmente consegui terminar de ler “Baseado em Fatos Reais”, tentei ler dois livros ao mesmo tempo e juntar com a vida mas não dá, gente. É um por vez, MESMO!

Nesse livro conhecemos Delphine, que é uma escritora que não consegue mais escrever, mas que fez muito sucesso com o ultimo livro que lançou, onde a levou a uma carreira brilhante de palestras, congressos, filas de fãs, eventos etc. Mas para ela tudo se tornou algo pesado, cansativo e angustiante. Além disso, começa a receber cartas de alguém que não se identifica, com palavras de ódio contra ela e seu livro. Mas ai tudo muda na vida de Delphine quando conhece L. em uma festa. Ah, o que falar de L. É aquele tipo de personagem que você odeia logo de começo, quer mata-la mas ao mesmo tempo quer saber qual a intenção dela, sabe? L. começa a manipular Delphine de uma maneira intensa, que te deixa com ódio mortal dela e pensamento de como Delphine está caindo nesse papo?

 

Quanto tempo é necessário para ser uma mulher assim?, perguntei-me enquanto observava L., como havia observado dezenas de mulheres antes dela, no metrô, na fila de espera dos cinemas, nas mesas de restaurantes. Penteadas, maquiadas, engomadas. Sem nenhum amassadinho. Quanto tempo levavam toda manhã para chegar àquele estado de perfeição e quanto tempo levavam para se retocar à noite, antes de sair?

O livro todo leva o clima de misterioso, a narrativa é fácil e tranquila, em alguns pontos achei longas demais, cansativas. Vocês sabem que sou bem chato com narrativas detalhadas demais, mas a autora soube administrar isso em sua escrita, deixando um tom de suspense, mas foi um daqueles livros que quando você termina você só consegue olhar para o nada e gritar: QUE P*ORRA É ESSA?

“É tão ruim assim Wellington?” Não, não é porque é um livro ruim, mas sim porque me senti deixado no escuro, jogado em um mar gelado, com o Titanic afundando em cima de mim. Não sei se era a proposta da autora deixar o leitor no escuro sem respostas, mas deixou. Se você é daqueles que gosta de uma leitura certinha, com começo, meio e fim, sinto de decepcionar. Não leia. Mas se você gosta de solucionar mistério e não liga de no final nada pode ser o que você acha que é, então leia. Uma coisa bizarra é que o nome da personagem é o mesmo nome da autora do livro, fico pensando se ela passou pessoalmente por toda essa historia do livro. Por muitas vezes fui até o final do livro olhar sua orelha para ver a foto da autora, imaginando ela como protagonista. Me senti com dificuldade de separar a ficção da vida real. Ou nada disso é ficção? Tirem suas próprias conclusões.

“– Mesmo que tenha acontecido, mesmo que algo verdadeiro se pareça com isso, mesmo que os fatos sejam reais, nós sempre contamos uma história. Contamos a nós mesmos.”