Resenhas

Resenha: Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently

27, set, 2016 Laryssa

Título: Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently

Série: Dirk Gently # 1

Autor: Douglas Adams

Ano: 2015

Páginas: 240

Editora: Arqueiro

Sinopse:  “Um colossal épico, cômico, de horror, musical, policial, romântico, sobre viagens no tempo, fantasmas e detetives.” — O autor
A série O Mochileiro das Galáxias consagrou Douglas Adams por sua fina ironia e sua capacidade de elaborar histórias hilárias e inusitadas. Porém, essa não foi sua única obra-prima. Também na década de 1980, ele criou o personagem Dirk Gently, cujos elementos principais surgiram quando escrevia episódios para Doctor Who, outro ícone britânico da ficção científica. Adams morreu em 2001, deixando dois volumes sobre as aventuras do detetive carismático e arrogante. Agora, finalmente, o primeiro livro é publicado no Brasil. Richard MacDuff é um engenheiro de computação perfeitamente normal que sempre se comportou muito bem, obrigado, até o dia em que deixa uma mensagem equivocada na secretária eletrônica de sua namorada, Susan Way. Arrependido, toma a decisão mais natural possível: escalar o prédio dela e invadir seu apartamento para roubar a fita com a gravação. Na vizinhança, Dirk Gently bisbilhota os arredores com seu binóculo quando presencia o ato tresloucado do antigo colega de faculdade e decide entrar em contato para lhe oferecer seus serviços investigativos. Depois de uma série de acontecimentos bizarros, o detetive percebe uma interconexão obscura entre a atitude estapafúrdia do amigo e o assassinato de Gordon Way – irmão de Susan e chefe de Richard, que passa a ser suspeito do crime. De uma hora para outra, os dois vêem-se envolvidos num caso incrivelmente estranho, com elementos díspares e desconexos que, no final, conseguem se encaixar de forma perfeita e construir uma trama típica de Douglas Adams.

Ah!! Esse livro é tão Douglas Adams! O Douglas bom! Aquele do início de Guia do Mochileiro das Galáxias!

Apesar do título do livro, nosso protagonista se chama Richard Macduff, ele é colega de faculdade do detetive que dá nome ao livro. Richard acaba em uma situação mais do que inusitada quando precisa recuperar a fita da secretária eletrônica de sua quase ex-namorada, depois de acabar com as chances de um relacionamento saudável, ele se encontra suspeito do assassinato de seu chefe que também era seu cunhado. Para resolver essa situação ele recorre a Dirk Gently, antigo colega e detetive muito incomum, que consegue ter um nome pior do que esse que acabei de citar e que consegue achar uma ligação entre uma égua aparecer inusitadamente em um banheiro e um homem a beira do desespero escalar um prédio só com as mãos no meio da noite

Dirk é adoravelmente estranho – infelizmente não aparece tanto no livro quanto eu gostaria – tendo como nome verdadeiro Svlad Cjelli, ele decide investigar o amigo depois de vê-lo escalando o prédio de Susan, e associar isso ao assassinato do irmão da mesma. Dirk gosta de pizza, suas investigações envolvem até viagem no tempo e ele têm um tato especial para lidar com Dodôs.

Richard MacDuff, o verdadeiro  protagonista da história é um engenheiro da computação, era um homem comum e sem graça, com problemas no mesmo nível que ele – além de ser um péssimo namorado. Depois de estragar tudo com a namorada, ele tenta consertar as coisas arriscando a vida tentando entrar pela janela do prédio dela. Maior suspeito da morte de seu chefe – que ele não era muito fã – tem uma interessante má sorte com monges e aparelhos eletrônicos com defeito. Me incomodo ao achar um padrão em Adams, apesar das personagens femininas fortes e com opinião, elas nunca tem grande destaque na obra do autor.

Capa, Diagramação e Escrita: Gosto da capa, e ela de certo modo leva a um padrão dos livros de DA, com um fundo e uma fonte muito parecidos com o Guia dos Mochileiro. A diagramação é simples e a fonte tem um tamanho ótimo, acho o livro até curto. A escrita de Douglas tem muito poréns… Apesar de engraçada e instigante, ele sacrifica sempre a continuidade da história e a dinâmica em prol do humor e da críticas, a trama de Adams NUNCA é a protagonista do livro, e isso além de irritar, se torna um pouco cansativo em alguns momentos.

Concluindo: Eu gostei muito! Quero pra já a continuação! Este livro reuni o melhor do autor, uma história criativa, feita de modo simples, envolvente e engraçado mimetizando uma comédia excêntrica, que na realidade esconde todas as críticas, nuances e ironias típicas do autor sobre os assuntos mais polêmicos, complexos e embora difíceis e ignorados, tão comuns. Já estou me programando para ler Dirk de novo, porque Douglas têm uma mania única de rechear seus livros com várias situações inusitadas e inocentes, que acabam por se fundir de modo espetacular no decorrer na história; Isso é ótimo, mas algumas vezes não aproveitamos tão bem as “sacadas”, você sente aquele “WTF?” e continua lendo em um misto de admiração e semi-confusão, mas conseguimos sentir a incrível genialidade do autor, repetindo suas obras (acreditem, já li a série do guia três vezes). É uma pena que esse mestre já não esteja mais entre nós, temos de aproveitar e sugar tudo de melhor que ele deixou para o mundo, e sinceramente parar para pensar e não só rir, de suas críticas.

Nota:

4 e meia estrelas