Resenhas

#Resenha: A Viúva, de Fiona Barton

20, abr, 2017 Wellington Rafael

Livro: A Viúva
Autora: Fiona Barton
Ano: 2017
Editora: Intrínseca

Sinopse:Ao longo dos anos, Jean Taylor deixou de contar muitas coisas sobre o terrível crime que o marido era suspeito de ter cometido. Ela estava muito ocupada sendo a esposa perfeita, permanecendo ao lado do homem com quem casara enquanto convivia com os olhares acusadores e as ameaças anônimas. No entanto, após um acidente cheio de enigmas, o marido está morto, e Jean não precisa mais representar esse papel. Não há mais motivo para ficar calada. As pessoas querem ouvir o que ela tem a dizer, querem saber como era viver com aquele homem. E ela pode contar para eles que havia alguns segredos. Afinal, segredos são a matéria que contamina (ou preserva) todo casamento.

Esse mês eu preciso dar um tempo de thrillers, porque olha, estou ficando paranoico. “A Viúva” é o livro de estreia da autora Fiona Barton. Um thriller que ousa ao lidar com um tema tão forte: a pedofilia. A história é sobre o desaparecimento da garotinha Bella, enquanto brincava no quintal de sua casa.  investigação leva os policiais a um suspeito:  Glen Taylor. Que após ser preso e julgado, acaba inocentado por falta de provas. O autor traz algo diferente e instigante ao redor desse acontecimento. Um tema que eu nunca havia lido em uma história de ficção, propriamente dito. Achei intenso.

Temos dois tempos na história: Passado (quando ocorreu o desaparecimento e as investigações policiais) e o presente (em que a viúva de Glen é o foco para desenvolver a história), onde em cada capitulo a autora mostra o ponto de vista dos personagens. Temos a viúva e sua narrativa em primeira pessoa, uma reporter, um detetive e a mãe da garotinha desaparecida. A forma como a autora distribuiu a história entre esses personagens foi o que mais me agradou no livro, com isso a história não fica monótona e cansativa, deixando o suspense surgir a cada capitulo diferente de cada personagem. Uma linguagem bem objetiva prevalece no livro todo, mesmo nas páginas mais arrastadas, a forma “jornalística” que a autora usa, faz com que a leitura flua rápida.

A protagonista Jean Taylor é um dos personagens mais bem construídos que eu já li, sério. Se a ideia da autora era transparecer uma grande mulher, ela conseguiu. A ideia da mulher submissa que confia totalmente no marido e que leva o casamento como algo sagrado. Ela não é um mulher do século XXI e sim alguém que faz viver o comportamento de décadas passadas, se deixando totalmente ao dispor do marido. Bem, pelo menos por algum tempo da leitura, mais pra frente a complexidade dessa mulher vai deixando você com um pulga atrás da orelha.

“A Viúva” me fez refletir. Até que ponto o convívio com alguém que amamos pode modificar a nossa forma de ver o que é certo ou errado? É realmente possível estar junto com alguém que nos faz aceitar e perdoar comportamentos e ações que consideraríamos mostruosos?

O delicado tema da pedofilia foi muito bem abordado e a autora conseguiu desenvolver sua história e passar seu recado. Não é um livro com grandes reviravoltas, mas o suspense nas páginas é de sentir na pele. Com certeza, entrou para os melhores de 2017.