Resenhas

Resenha: A Ilha Misteriosa – Jules Verne

10, ago, 2018 Laryssa

Título: A Ilha Misteriosa
Autor: Jules Verne
Ano: 2017
Páginas: 704
Editora: Zahar

Sinopse:  Vinte e quatro de março de 1865. Arrastados em seu balão desgovernado e rasgado por um furacão, cinco “náufragos do ar” aterrissam numa ilha deserta do Pacífico Sul. Somente com a roupa do corpo, o pequeno grupo de colonos irá refazer toda a longa trajetória da civilização: da pré-história aos tempos modernos, do domínio do fogo à fabricação de nitroglicerina, dos primeiros artefatos à pilha elétrica, da cerâmica rudimentar à instalação de um elevador e de um telégrafo, sem deixar de passar pelo advento da agricultura e da pecuária.

 

O livro relata a história de cinco prisioneiros, que fugindo da guerra roubam um balão e devido a um furacão acabam  presos em uma ilha aparentemente deserta no meio do oceano pacífico. Sem mais nada além da roupa do corpo, conhecimento e companheirismo eles empreendem a construção de uma micro-sociedade. Logo eles descobrem que conseguem se virar muito bem com a matéria prima oferecida pela ilha e esperam pela chegada de algum navio que possa proporcionar um resgate.

Personagens: As personagens aqui representam alegorias da sociedade americana de 1874. A classe trabalhadora no marinheiro e seu  jovem aprendiz, a inteligência em graduados como o engenheiro e o jornalista; um homem negro,  ex-escravo do engenheiro, e até um cachorro. Juntos eles se intitulam “Os Colonos” e não encontram muitas dificuldades em sobreviver no ambiente tropical; Há ainda uma força poderosa e invisível, que sempre os ajuda nos momentos de maior dificuldade.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa em cores crepusculares e contraste negativo é adorável. A diagramação é simples e polida, e gosto muito quando há ilustrações recorrentes entre os capítulos, mas a edição de bolso em um livro de 700 páginas e de fonte pequena foi muito desconfortável de ler (e carregar). Gosto de comparar a escrita de Verne com King, os dois são grandes amantes de longas descrições, e há vários momentos da narrativa em que o autor se perde em explicações sobre química, botânica, geografia e engenharia; Mas faz isso de forma eloquente, fluida e muito interessante.

Concluindo: O foco do livro em si é na construção e evolução dessa pequena comunidade que os colonos formam na ilha, não de forma social – mas sim os requisitos necessários ( ofícios, matéria prima, conhecimento) necessários à construção de uma sociedade – da roda há ferrovias. A leitura pode se tornar longa e arrastada para quem não está acostumado ao nível de descrições ou até maçante pelo foco do autor ser nos atos das personagens e não em suas relações. Meu grande incomodo (e imagino que também de alguns outros leitores) foi a abordagem de Verne ao representar o homem negro – extremamente preconceituosa, ele tem uma personalidade mesquinha, ignorante e muito supersticiosa. Eu entendo que o contexto vivido por Verne é completamente diferente do atual e que da mesma forma um homem negro de 1874 tem experiências muito diferentes das existentes hoje e que seu crescimento como pessoa seria diretamente ligado a isso, mas não deixou de me incomodar. Todas as teorias, mitos e inclusive o final do livro se aplica a esse mesmo contexto de época, mesmo assim isso não diminui a qualidade da leitura e todo o enriquecimento feito por Verne.