Resenhas

Resenha | A Forma da Água – Guillermo Del Toro e Daniel Kraus

25, maio, 2018 Laryssa

Título: A Forma da Água
Autor: Guillerme Del Toro
Ano: 2018
Páginas: 352
Editora: Intrínseca

Sinopse:  A história de Guillermo del Toro que deu origem ao filme vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, recordista de indicações ao Globo de Ouro e um dos mais cotados na corrida do Oscar 2018. Richard Strickland é um oficial do governo dos Estados Unidos enviado à Amazônia para capturar um ser mítico e misterioso cujos poderes inimagináveis seriam utilizados para aumentar a potência militar do país, em plena Guerra Fria. Dezessete meses depois, o homem enfim retorna à pátria, levando consigo o deus Brânquia, o deus de guelras, um homem-peixe que representa para Strickland a selvageria, a insipidez, o calor — o homem que ele próprio se tornou, e quem detesta ser. Para Elisa Esposito, uma das faxineiras do centro de pesquisas para o qual o deus Brânquia é levado, a criatura representa a esperança, a salvação para sua vida sem graça cercada de silêncio e invisibilidade. Richard e Elisa travam uma batalha tácita e perigosa. Enquanto para um o homem-peixe é só objeto a ser dissecado, subjugado e exterminado, para a outra ele é um amigo, um companheiro que a escuta quando ninguém mais o faz, alguém cuja existência deve ser preservada. Mistura bem dosada de conto de fadas, terror e suspense, A Forma da água traz o estilo inconfundível e marcante de Guillermo del Toro, numa narrativa que se expande nas brilhantes ilustrações de James Jean e no filme homônimo, vencedor do Leão de Ouro em 2017. Uma história cinematográfica e atemporal sobre um homem e seus traumas, uma mulher e sua solidão, e o deus que muda para sempre essas duas vidas.

 

A trama se passa nos anos 60 e aborda o período da Guerra Fria em Baltimore,  EUA. Apesar de detalhar melhor algumas personagens secundárias o livro se centra em Elisa e Strickland. A primeira vê sua rotina mudar quando descobre um híbrido de homem e peixe em um tanque no laboratório onde trabalha. O segundo se considera amaldiçoado, tendo de largar sua vida confortável para caçar um monstro em um ambiente selvagem e hostil e depois dedicar todo o seu tempo e sanidade para cuidar dele. O livro ainda aborda temáticas sociais interessantes, que ainda são sazonais mas que ganharam força de litígio e controvérsia em meados dos anos 60, como a socialização de brancos e negros e o racismo permissivo consequente,  o machismo tabelado e a depreciação tangente da mulher em vários meios sociais, homo – sexualismo\fobia, elitismos sociais diversos entre outros.

Personagens: Elisa é uma jovem muda e retraída, leva uma vida monótona e relativamente solitária. Tem dois grandes amigos, Giles – seu vizinho do apartamento duplo, localizado em cima do antigo cinema Arcade, e Zelda – a colega de trabalho do laboratório Occam. Com 33 anos Elisa vive marginalizada pela mudez e pobreza, sem muitos objetivos e alegrias na vida ela se dá ao luxo de colecionar sapatos, sua rotina e costumes me fizeram pensar na Síndrome de Aspenger por diversas vezes. Além da curiosidade inicial, ela encontra em seu “novo amigo“, a chance de um convívio puro, sem amarras e julgamentos. Eu já havia visto o filme e no livro podemos ver muito mais do General Strickland, apesar da personagem ter sido muito bem abordada no longa metragem, a fragmentação da personalidade da personagem é complexa e imersiva (o que também irrita, já que não tenho palavras para expressar o meu nojo por ele). O desenvolvimento de Zelda, Giles e até de Lainie [esposa de Strickland] é adorável – a construção das personagens é incrível e é a maior divergência do livro para o filme, que apesar de ter a trama quase idêntica, aborda a história de forma diferente, tendo como objetivo o desenvolvimento e dilema de seus protagonistas e competindo lado a lado com o cerne principal da trama.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa é maravilhosa, exprime todo o sentimento imprimido no livro de forma simples e artística – amei a intenção de profundidade, mesmo que com uma única tonalidade, o ilustrador torna o amor da cena tangível  e ainda pressupõe o fundo do mar\ espaço\ nada\ tudo, que se mistura ao momento. A diagramação é simples e polida e a leitura é dinâmica. A escrita é detalhada e fluida.

Concluindo: Eu amei o livro, mas recomendo muito que o leiam antes de assistir ao filme, ou esperem um bom tempo para ler depois de assistir. Não que um seja melhor que o outro, mas são abordagens diferentes e muito interessantes, que com certeza se completam em uma obra de arte, delicada, controversa e perfeita.