Resenhas

#Resenha: A Febre do amanhecer, de Péter Gárdos

15, jun, 2017 Wellington Rafael

Título: A Febre do amanhecer
Autor: Péter Gárdos
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017

Sinopse: Julho de 1945. Miklos é um jovem húngaro de 25 anos que sobreviveu ao campo de concentração e foi levado para a Suécia para recuperar a saúde. Mas logo os médicos o desenganam: ele tem os pulmões comprometidos e conta com poucos meses de vida. Miklos, porém, tem outros planos. Ele não sobreviveu à guerra para morrer num hospital. Após descobrir o nome de 117 jovens húngaras que também se encontram em recuperação na Suécia, ele escreve uma carta a cada. Uma delas, ele tem certeza, se tornará sua esposa. Em outra parte do país, Lili lê a carta de Miklos e decide responder. Pelos próximos meses, os dois se entregam a uma correspondência divertida, inusitada, cheia de esperança. Baseado na história real dos pais do autor, A Febre do Amanhecer é um romance vibrante e inspirador sobre a vontade de amar e o direito de viver.

Fazia tempo que eu estava fugindo de ler romances (por motivos de ter terminado um relacionamento a pouco tempo – aquela fase de fugir de tudo que fala de amor, sabe?) mas pensei: “é um livro pequeno e eu gosto de tudo que envolve a Segunda Guerra Mundial, vou ler.” Eu achava que o livro seria um daqueles romances típicos, com sofrimento, partidas, lágrimas e clichês. Porém, vai muito além do que um simples romance.

O livro conta a história de Miklos e Lili, duas pessoas que vivem muita coisa em comum: Guerra, campo de concentração, dor, sofrimento, fome, trabalho pesado, suor, dor e sangue. Quando tudo isso “acaba” e eles saem vivos e totalmente doentes de onde estão, vão para o hospital e começam a se tratar.

Ao longo da história, vamos acompanhando uma troca de cartas se que torna um refúgio para ambos. Dessas cartas cresce um sentimento. Amor? No começo creio que não. Talvez seja só um modo dos dois fugirem das lembranças, dos fantasmas que os assombram. Ao decorrer da leitura das cartas, vamos vendo o real sentimento nascendo e se ficando forte. Vemos duas pessoas marcadas pela dor, com lembranças que não conseguem esquecer e que as acompanham em seus piores pesadelos, duas pessoas com meio de distrair a mente escrevendo uma para a outra.

O autor deixa bem claro na narrativa como as feridas de uma Guerra podem demorar para cicatrizarem, ou nunca cicatrizam. O autor nos leva a se envolver com os personagens de uma tal maneira que você consegue sentir a dor deles em cada capitulo, sentir suas perdas, sua esperança, sua força e até mesmo sua vontade as vezes de morrer.

Eu amei a leitura de “A Febre do amanhecer”. Não, não é só um romance. Sim, são duas pessoas que se amam? Sim. Mas são duas pessoas que se curam. E claro, você espera um final feliz. Mas nem sempre o real, o verdadeiro, é feliz. Uma leitura que explora os sentimentos humanos, a dor humana em uma época tão triste como era a Segunda Guerra Mundial. Eu amo livros nessa temática e me surpreendi. A narrativa é gostosa, fácil e envolvente.

“E se tiveres um filho, irmãozinho, ensina-o
Que a justiça não se faz com espingarda e revólver, 
Que o conserto do sofrimento do mundo 
Não depende do alcance do míssil.
 
E na loja de brinquedos, irmãozinho, não compres
Soldados ao teu filho, mas na prateleira branca,
Escolha cubos de madeira, para que desde pequeno
Em vez de matar, que aprenda construir um novo mundo.”
Quer fugir de um romance clichê? Conheça essa história <3