O Som do Amanhã – Capítulo 17

Capítulo 17

Fort Lauderdale, 27 de Janeiro de 2017

Las Olas Beach – 10:30h

 

O dia estava magnífico. O céu estava um tapete azul royal e o sol dourava minha pele sem queimá-la. A suave brisa não me deixava derreter e a espreguiçadeira, forrada com um acolchoado grosso, parecia mais uma cama. Estava quase dormindo tamanha paz que eu sentia ali, até duas mulheres sentadas nas cadeiras ao meu lado, poucos metros de distância, começarem a conversar. Ajustei meus óculos de sol e tentei ignorá-las tentando retomar meu breve momento de serenidade, mas era impossível. Elas falavam alto. Queriam que eu as escutassem.

– Talvez ele seja gay! – uma das garotas levantou rapidamente seus óculos, me dirigindo um olhar curioso e voltou a coloca-los.

– Ou não fale português e não está entendendo nada do que estamos falando! – a outra levantou e começou a passar filtro nas pernas compridas.

– Querida, a sedução é uma linguagem universal! Somos duas mulheres lindas, corpos esbeltos e estamos insinuando pra ele há dez minutos. Com certeza ele é gay, ou já teria vindo conversar com a gente!!

– Talvez…que desperdício! Ele é tão gato! Olha esse cabelo amarrado num coque improvisado…

– Essas mexas caídas, esse corpo definido…

– Essa barba…minha nossa! Eu iria fazer um estrago com esse homem na cama. Que pena…que pena…

Eu as observava com o canto do olho discretamente me segurando para não rir dessa palhaçada toda e dizer: Minhas queridas, não passou em suas cabeças que simplesmente não fazem o meu tipo? Minhas bochechas estavam até doendo de tanto conter o riso. Mas me segurei…até onde elas iriam?

– Nossa, olha aquela menina saindo do mar, devia ter vergonha de usar biquíni. Cheia de celulite e gorda! Credo!

Nessa hora, a graça toda desapareceu num piscar de olhos e retesei o queixo com raiva.

– Ela está vindo pra cá, será que…

– Oi meu amor! O mar estava gostoso? – me levantei com uma toalha nas mãos.

– Uma delícia! Você deveria entrar! – ela deu aquele sorriso mágico que tanto eu gostava.

– Mais tarde! Estou aproveitando a preguiça um pouco! – a ajudei a secar o corpo.

– Vim passar mais filtro e vou voltar para o mar! Se não me cuidar, viro um camarão!

Sorri.

– É verdade! Deixa que eu passo!

Peguei o filtro na sacola que estava em cima da mesa de plástico ao lado da espreguiçadeira e exprimi na mão.

Deslizei minhas mãos delicadamente nas costas daquela menina linda! Ela levantou os cabelos compridos e molhados para cima, facilitando meu serviço. Então, desci minhas mãos em sua bunda, depois pernas e quando vi, estava excitado.

Ela se virou.

– Rick! Minha nossa! Controle-se! As pessoas vão ver! Você está de sunga e não de bermuda!

A puxei em meus braços, a coloquei na espreguiçadeira e dei-lhe um beijo ardente.

– Você me deixa doido!

Ela jogou a cabeça para trás e gargalhou!

Depois me empurrou e se levantou!

– Seu tarado! Eu vou voltar para o mar antes que cometamos um crime aqui e façamos amor no meio de toda essa gente!

Foi andando apressadamente em direção ao mar sorrindo.

Como eu a amava!

Tentei me recompor, ajeitando minha intimidade e olhei para as duas garotas ao lado que me fitavam de boca aberta.

Tirei os óculos e as encarei.

– Ele tem olhos verdes! – a loura falou. – Mas tem tanto mal gosto! Olha o que escolheu para namorar! A balofa sem noção…

– Até que enfim reparou em nós – disse a morena.

Diversidade!

Está aí uma palavra que eu respeito.

Cada um é cada um. Se você é magro, respeite quem é gordo. Se a sua vibe é morrer na academia e viver de planta, o problema é seu, só não enche o saco de quem ama um bacon, um sandubão violento e uma bata frita com queijo. Se o homem trabalha e sustenta a família, enquanto a esposa decide cuidar dos filhos, ou se a mulher é quem provê o sustento da família e o homem assumiu a papel de cuidar dos filhos, se ambos trabalham, meu, na boa, o problema é de cada um. Se estão vivendo bem, o que é que a gente tem que meter o bedelho? Falta de respeito é uma coisa que não admito. Você não pode se considerar melhor que ninguém porque é bonito, ou esbelto, ou porque tem grana. Somos muito além do que a aparência física ou nossa conta bancária! E jamais deveríamos ter vergonha do que somos! Cicatrizes, são lindas! São marcas da vida! Celulites, estrias, essas picuinhas que uma mulher adora jogar na cara da outra (na boa, homem mal repara nisso), não dizem o que você é! Nem o que você viveu! As pessoas têm que parar de cobrar umas das outras a perfeição. E deveriam, também, parar de cobrar de si mesmas! Somos totalmente, completamente, loucamente imperfeitos! A partir do momento que a gente aceita isso, tudo fica mais fácil! Homem ou mulher, hetero ou homo, branco ou negro, somos todos formados do mesmo esqueleto. Todos temos o mesmo coração pulsando sangue. Do pó fomos formados, e ao pó voltaremos! Chega disso…vamos priorizar a felicidade. Ela também é imperfeita!

Aquelas duas, precisavam de uma lição. Não gosto de fazer isso porque vai totalmente contra tudo isso que acabei de dizer mas…

– Sabe – comecei – eu não sou gay! Acho que perceberam isso! – fitei o mar em direção a minha futura mulher – Ela me deixa louco! – ajeitei minha intimidade novamente na sunga e voltei a encarar as mulheres – O negócio é que vocês são feias, esqueléticas e sem graça! Deveriam ter vergonha de andar com esses micro biquínis parecendo duas vadias de beira de estrada. Agora…- coloquei meus óculos novamente – deixe-me ir aproveitar o mar com a mulher da minha vida!

Saí em direção a Bia que acenava do mar pra mim, deixando as duas desconhecidas de boca aberta indignadas.

Sim! O amor da minha vida era a Bia! A mesma Bia que frequentava as minhas aulas de violão. Mas que agora era uma menina de dezenove anos, quase vinte. Faltava apenas uma semana para o seu aniversário de vinte anos.

Tudo começou quando ela apareceu há seis meses atrás na Sedina. Enquanto eu tocava, ela dançava em frente ao palco e sua alegria era tão contagiante que meus olhos simplesmente não conseguiam se desviar dela. Assim que dei um intervalo, fui falar com ela.

– Olhar pra você me faz sorrir!

Bia jogou os cabelos pretos, compridos e brilhosos para o lado emanando um perfume suave e agradável.

– Não está me reconhecendo? – disse esboçando um sorriso divertido.

– É…eu…- cerrei os olhos – seu rosto é familiar mas não sei de onde… – cocei a barba. – Estou encabulado! Como posso ter me esquecido de uma mulher tão linda como você?

Ela gargalhou.

– Professor! Continua sendo um homem muito gentil!

– Professor? – foi aí que me toquei – Minha nossa! Bia? É você? Está diferente!

– Bom, do número 50, fui parar no 44, quase 42. Posso dizer que mudei um pouquinho sim – piscou e sorriu.

– Não é só isso! Você…você está mais madura, não sei dizer, está confiante. Algo em você…sabe…faz eu não querer parar de te olhar!

– Bom, com certeza eu estou mais madura, afinal, já estou com dezenove anos. Meus cabelos cresceram, eu emagreci um pouco. Deixe-me ver o que mais mudou em mim…hum…ah… e estou aqui comemorando o término de um namoro! E estou muito feliz!

– Normalmente as pessoas ficam tristes quando namoros acabam!

– Bom, acho que elas não enxergam o proveito disso tudo! Terminar um namoro significa novas oportunidades de encontros. Novas chances de colocar o coração para disparar quando vê alguém que te interessa, novas boas conversas, novos sorrisos, ou até mesmos a oportunidade de ter um prazeroso reencontro! – tocou meu ombro com a mão.

– Bom…olhando por essa perspectiva! Terminar um namoro não é tão ruim assim!

Ela sorriu.

– Viu só? A verdade é que meu namoro já não me fazia mais feliz! A partir do momento em que os sorrisos não fazem mais parte da sua rotina de namoro, bem, está na hora de cair fora. Como sempre diz minha mãe: Encontre alguém que te olhe como no primeiro encontro, mesmo depois de passar vinte anos ao seu lado. Que te faça sorrir com a mesma determinação de um palhaço e que te envolva com um abraço aconchegante, assim como um cobertor quentinho e confortável. Meu ex já me olhava com impaciência, só me fazia chorar de raiva e seus abraços estavam mais ásperos que uma lixa de pedreiro – gargalhou.

Sorri.

– Então porque você não me conta o que aconteceu com a sua vida nesse tempo todo enquanto eu te pago uma bebida? Afinal, você frequentou minhas aulas somente mais dois meses e depois sumiu!

Ela concordou, avisou as amigas e fomos tomar um drink no bar. Ela me disse que saiu das aulas porque os estudos estavam ocupando muito o seu tempo. Passou em medicina e estava na faculdade. O violão se tornou um passatempo para as horas de descontração.

Naquela noite, Bia me esperou até eu finalizar o show. Ficamos conversando por horas e encerramos a noite na minha casa. A menina doce ainda estava lá, mas agora estava confiante, determinada e tão espirituosa! Senti prazer como há tempos não sentia e ela me fez esquecer toda dor que eu levava comigo. Conseguiu arrancar meu coração de um abismo profundo e me trouxe de volta sensações que eu achava que nunca mais iria sentir. Em três meses eu já estava louco de amor por ela e ela por mim. Éramos cúmplices, companheiros, amantes, parceiros. Ela trouxe de volta a beleza da vida!

No dia seguinte a morte da Sol, meus ossos pareciam que estavam todos quebrados. Tiveram que me dopar porque eu fiquei totalmente descontrolado. Apesar da profunda dor, fiz questão de ir ao seu enterro. Mas não consegui me despedir dela. Assim que pisei os pés no local, uma avalanche de jornalistas me rodearam e tive que ser escoltado pela polícia até em o meu carro. Fui retirado de lá, segundo os policiais, para minha própria segurança. A nossa história já estava escancarada nos tabloides do mundo inteiro. O porta voz foi Luan. Assim que levaram o corpo da Sol, milhares de jornalista vieram falar com o proprietário da Sedina. Luan, totalmente abalado com a minha dor fez um discurso condolente.

– Vocês querem a verdade? Então vou dizer a verdade! O que aconteceu com essa moça mostra o que as drogas podem fazer com a gente! Elas nos destroem! Isso é fato! Mas não foi apenas as drogas que sugaram a vida de Sol Fierce! Foi a infelicidade! Apesar de todo sucesso que aquela garota linda tinha, sua vida era coberta de solidão e quando finalmente ela reencontra alguém que podia ajudá-la a pôr um fim nessa situação, seu empresário, Luigi, a obriga a se casar com o seu parceiro de banda, Ryan, sem sequer amá-lo. Tudo por causa de contratos publicitários e mais e mais fama. Sol Fierce era apaixonada por Rick Donnas! Rick Donnas poderia ter sido a salvação dela…tanto que em seus desespero, em seus últimos momentos de vida, foi a ele quem Sol procurou. Ela o amava. Ele a amava e não conseguiram viver esse amor por causa da ganancia de seu empresário. Luigi Carvalho, você é o culpado pela morte de Solange Souza há muitos anos atrás e agora, é culpado pela morte de Sol Fierce hoje! Espero que você consiga viver com essa culpa – disse com lágrimas escorrendo dos olhos, depois de me ver saindo numa ambulância apagado.

Luigi não suportou o peso de sua própria consciência. Suicidou-se três dias depois, com uma dose cavalar de heroína na veia.

Até onde eu sabia, Ryan se entregou totalmente às drogas e seu irmão Matt o internou numa clínica de reabilitação. O pilar daquela banda havia sido quebrado. Era o fim do All Stranger.

Eu…bem…eu entrei em depressão. Não pela morte da Sol em si, mas por ter colocado na minha cabeça que de alguma forma, eu poderia ter evitado aquilo. A minha cabeça martelava ações que eu poderia ter feito que pudessem ter mudado o destino de Sol.

Eu deveria ter insistido.

Não deveria ter desistido dela.

Deveria ter falado naquela coletiva sobre nosso romance, às vezes ela não negaria.

Deveria ter socado Luigi enquanto eu podia.

Sequestro. Isso! Deveria tê-la sequestrado.

Enfim…milhares de pensamentos sugavam minha energia e vitalidade.

Parei de tocar na Sedina, parei de dar aulas. Luan passou a cuidar de mim como um pai cuida de seu filho doente.

Levou um ano para eu conseguir me reerguer. E quando digo reerguer, eu digo fisicamente. Aos poucos, voltei à minha rotina. Os donos da escola Melodia das Cordas me deram o emprego de volta, voltei a tocar na Sedina. O pub ainda permanecia lotado e ali virou tipo um ponto turístico: Lugar onde Sol Fierce morreu.

No segundo ano, após sua morte, escrevi um livro: “O Som do Amanhã”. Contei toda a nossa história! Desde quando Sol e eu éramos crianças, até seus últimos momentos de vida! Foi considerado best seller. Teve recorde de vendas ficando em primeiro lugar por três meses consecutivos. Foi traduzido em cinco línguas e vendido no mundo inteiro.

Com o dinheiro das vendas do livro, comprei meu apartamento e me tornei sócio de Luan na Sedina. Continuei cantando lá aos finais de semana e a dar aulas de violão.

Minha vida estava em ordem e a dor da perda de Sol estava controlada. Nunca mais me envolvi com ninguém. Mulheres, apenas por uma noite. Meu coração estava bloqueado por uma porta com mil cadeados. Ninguém conseguia ao menos virar a maçaneta dela. Até Bia chegar. Como um passe de mágica, ela me deu esperança de que eu podia amar novamente e sentir a emoção de estar com alguém outra vez.

Bia foi a minha salvação.

Ela sabia de toda a minha história com Sol. Nunca tocou no assunto, até um dia eu encontrar meu livro na estante do seu quarto. Foi então que conversamos a respeito. Foi a última vez que chorei por Sol Fierce! Bia me ajudou a limpar a minha alma e a não remediar minha dor, mas sim curá-la.

– E essa foi a nossa história – terminei em prantos. – Eu queria ter evitado tudo isso.

– Somente ela poderia ter evitado tudo isso que aconteceu Rick! Graças a você, ela teve alguns momentos de felicidade, de resgate de emoções perdidas, de sorrisos recuperados. Você foi uma enorme luz na vida dela. Mas a treva foi ainda mais forte. Pare de se torturar. Nada podia ter evitado o que aconteceu! Deixe no seu coração, apenas a Solange Souza! E em relação à Sol Fierce… a deixe finalmente descansar!

Eu deixei.

Estávamos ali para comemorar seu aniversário de vinte anos.

– Onde vamos jantar? – Bia perguntou enquanto secava seus cabelos.

– Em algum restaurante da Lincoln Road – respondi lacônico.

– Hum…ok!

Eu estava nervoso! Minhas mãos estavam suando! Essa noite poderia ser um marco de alegria ou de tristeza em minha vida. Não parava de andar de um lado para o outro no quarto do Hotel.

– Está tudo bem com você, Rick? Estou te achando meio distante – Bia desligou o secador e me encarou.

– Está tudo bem! – forcei um sorriso.

Ela me olhou desconfiada e voltou a secar os cabelos.

Pouco tempo depois chegamos ao restaurante Havana.

Sentamos e o garçom nos trouxe o cardápio. Pedi um whisky e Bia uma suco de laranja. Ela não tomava bebidas alcoólicas!

– Tem certeza que está tudo bem Rick? Desde quando voltamos da praia você está estranho! Tem algo a ver com aquelas garotas que estavam ao seu lado?

– Que garotas? – me fingi desentendido.

– Aquelas lindas garotas ao seu lado! Olha, se eu te constrangi de alguma forma, me desculpa! Sei que meu corpo está bem longe do que elas exibiam mas…

– Bia! – a interrompi – Seu corpo é maravilhoso e nunca mais quero ouvi-la falando assim. Seu corpo e perfeito pra mim! Eu não consigo me ver sem tê-lo toda a noite junto ao meu! Bia eu…eu nunca amei alguém assim! Você resgatou sentimentos em mim que eu achava ter perdido de vez. Por isso…

Me levantei da cadeira e me ajoelhei ao seu lado. Tirei do bolso uma caixinha de veludo e abri. Lá estavam duas alianças grossas de ouro.

– Eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado! Você pode achar precipitado, só estamos juntos há seis meses, mas eu preciso dormir e acordar com você ao meu lado. Eu te amo! Casa comigo?

Bia colocou as duas mãos na boca surpresa.

– Rick eu…eu…

Então se ajoelhou em minha frente e me abraçou com força!

– É claro que eu aceito! Eu te amo!!

E nos beijamos!!

Nessa hora o restaurante inteiro nos aplaudiu. Eu nem havia reparado que todos estavam nos olhando.

O dono do restaurante veio nos parabenizar e nos deu o jantar de cortesia. Ficamos andando na orla da praia de Miami Beach durante horas, vendo pessoas tocando violão, outras fazendo fogueiras e outras namorando. Voltamos para o hotel e despi Bia com todo cuidado. A coloquei na cama e a enchi de beijos, admirando todas as curvas de seu corpo. Suguei sua intimidade até ela se desfazer de prazer, gritando em êxtase, então a penetrei com delicadeza e comecei a me movimentar vagarosamente e depois rápido. Bia cravou as unhas em minhas costas e seu corpo novamente começou a se contorcer em baixo de mim.

– Minha nossa Rick! Estou quase lá novamente! – gemeu.

Suas palavras me fizeram explodir e tive um orgasmo espetacular. Bia me apertou e também se deixou levar pelo prazer. Me deitei ao seu lado e fiquei contemplando a sua beleza. Suas bochechas levemente arredondadas estavam vermelhas e seus olhos castanhos me fitavam com carinho.

– Você é um sonho!

Ela sorriu e deitou sua cabeça em meu peito.

– Olha Rick, está amanhecendo! – levantou a cabeça e olhou para a janela.

– Está ouvindo esse som? – perguntei.

– Sim…

– Sabe que som é esse?

Bia levantou a cabeça e me encarou.

– Sei! O som da felicidade…

E esse foi o som do meu amanhã…

escrito por Luana Leão
Autora dos romances "As Mãos do Destino", "Na Mira do Destino" e "O Ultimo pôr do Sol" lançado pela Trechos de Livros

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