Críticas Séries

Frontier | Crítica

02, fev, 2017 Kaio Arantes

Título: Frontier
Temporada: 1 (6 episódios)
Ano: 2016
Gênero: Ação, aventura, histórico

A história se passa no caótico e sanguinário cenário do comércio de peles no século XVIII. Neste conflito entre mercadores, nativos e soldados, acompanhamos o percurso de Declan Harp, um ex-soldado que ganha fama quase lendária por sua agressividade e seu desempenho no comércio.

A série foi produzida a pedido do Discovery Channel canadense em parceria com a Netflix. Ela foi transmitida em 2016 apenas no Canadá, e chegou ao site de streaming no final de janeiro de 2017.
Essa ambientação é a mesma do filme O Regresso, mas com um foco bem diferente. A trama poderia ter um aspecto mais histórico, mostrando como era o comércio e as disputas territoriais, por exemplo, mesmo que em segundo plano, mas no fim acaba por ser uma série ficcional que apenas entretém.

 

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Michael Smyth é um pobre garoto que vive nas ruas de Londres. Após uma tentativa frustrada de roubar pólvora, o jovem vai parar na América do Norte e se vê nas mãos de Lorde Benton que o põe em missão: encontrar Declan Harp e o trazer à justiça.
Harp é interpretado por Jason Momoa (Game Of Thrones, Conan) o que foi na verdade o grande chamariz da série. Não chega a decepcionar, mas Momoa não é nada demais e isso se dá mais ao fato do roteiro primeiramente pintar seu personagem como um caçador sem escrúpulo, maligno e sanguinário e depois acaba virando um mártir carismático com um passado sofredor.
Lorde Benton é o líder da Companhia da Baía de Hudson (HBC), corporação responsável pelo comércio de pele nas colônias britânicas que vê uma concorrência acirrada com o grupo de Harp e mais alguns outros. Na responsabilidade de manter a Companhia em boa posição e com altos lucros, ele começa a caçar Declan, que depois acaba por se desenrolar como na verdade sendo algo pessoal. Interpretado por Alun Armstrong (Coração Valente, Penny Dreadful), Lorde Benton é o verdadeiro antagonista da história. Apesar de ser um bom personagem e contando com uma boa atuação, por horas Benton parecia um extravagante vilão de filmes pastelão, sem raciocínio ou estratégia, via apenas vingança e poder.
A série conta com mais alguns bons personagens, como Grace Emberly, dona de uma cervejaria que tem papel fundamental na trama, sendo uma ótima “jogadora” do âmbito político da região.

 

Frontier-Série-2016-Netflix

 

Como dito, a história poderia ter sido algo mais histórico, mas fincou garras na trama ficcional de Harp e companhia. Não é uma má história, mas foi pouco explorada, já que a temporada conta com apenas 6 episódios. Pequenos acontecimentos se desenrolam e tudo fica meio superficial, sem um grande acontecimento, propiciando um anti-clímax no fim com muitas pontas soltas e nenhum tipo de conclusão.
A história é meio “solta”. Quase não importa o mercado de pele ou as famosas negociações com os nativos indígenas. Mesmo assim é uma boa produção, com índios falando sua língua nativa, figurinos e lugares que nos levam para os anos 1700 de forma competente.
Apesar dos pontos negativos e do mediano ritmo de acontecimentos, a série cativa pelos personagens diversificados, pelo banho de sangue e pela curiosidade de onde tudo isso vai dar. As atuações, no geral, são medianas, mas o personagens são bem cativantes.

Em suma, a série não chega a ser uma decepção total, ela cativa e tem seus méritos. É uma boa produção visual num ambiente ainda pouco explorado, mas peca em pontos importantes. Entretém e nada além disso. Uma segunda temporada já foi confirmada antes mesmo da estréia da primeira, caso melhorem esses aspectos, tem tudo para ser uma boa série.