Críticas Séries

Desventuras em Série | Crítica

14, jan, 2017 Kaio Arantes

Título: Desventuras em Série (A Series of Unfortunate Events)
Temporada: 1 (8 episódios)
Ano: 2017
Gênero: Comédia, drama, mistério, ficção.

Adaptação de uma série literária, narra a história dos irmãos Baudelaire, que perdem seus pais em um terrível incêndio e são obrigados a conviver com seu novo tutor, o vil conde Olaf, que está apenas interessado na fortuna das crianças.

Eis que em plena sexta-feira 13, a Netflix estreia a tão aguardada série Desventuras em Série, que narra os infortúnios e desastrosos acontecimentos na vida dos irmãos Baudelaire.
A trama é muito mais do que a sinopse explora. Cada grande acontecimento leva a um outro grande acontecimento, um mais desastroso que o outro, ao passo que as pequenas crianças vão conhecendo novos e peculiares personagens, além de descobrirem segredos obscuros de sua família.

Como dito, a trama é rica em personagens. Os principais são os irmãos Baudelaire, uma garota engenhosa, um garoto inteligente e uma bebê com duros dentes; o senhor Poe, o banqueiro encarregado pelas crianças, que acaba por nunca conseguir ajuda-las e o grande vilão da trama, conde Olaf, cheio de planos maquiavélicos para botar as mãos na herança dos pequenos.
É óbvio que a grande estrela do show é Olaf, interpretado por Neil Patrick Harris. Olaf é um “grande e belo” ator (ou é o que ele acha) e a cada desventura que os irmãos passam, lá está ele, interpretando um personagem diferente tentando enganar a todos. Não sou grande fã do Neil, mas dou o braço a torcer e digo-lhes, ele está impecável no papel.
Todos os personagens tem características e personalidades berrantes, com exceção às crianças o que encaixa perfeitamente, já que a ideia é dar credibilidade aos irmãos, justamente os que mais são subestimados.

 

desventuras

 

A série também conta com Lemony Snicket, o personagem que narra a trama. Por diversas vezes ele encoraja os espectadores a desistirem de ver tais infortúnios, pois é algo muito triste de se ver, mas a série arranca boas risadas e fica impossível parar de assistir. Lemony Snicket é o autor dos livros que deram origem a série. Na verdade, Lemony Snicket é o pseudônimo de Daniel Handler, que também assina a adaptação do roteiro para a Netflix (o que deve deixar a série o mais próxima possível dos livros). No fim, Snicket acaba sendo um personagem muito interessante.

Quatro dos treze livros foram adaptados para a série, Um Mau Começo, A Sala dos Répteis, O Lago das Sanguessugas e Serraria Baixo-Astral. Cada livro figura dois episódios, dando um bom tempo para que as coisas sejam contadas, um bom ritmo para a serie, além de não desprezar detalhes que apenas enriquecem o roteiro. Algo bem bacana são as diversas e suaves referências, tem desde George Orwell a O Iluminado.
Então a cada dois episódios é como se uma nova trama surgisse, dependente dos acontecimentos anteriores, o que deixa o ritmo bem fluído, não é à toa que vi tudo em um único dia.

A história se passa em um mundo muito parecido com o nosso, mas fica improvável definir a época, já que há elementos atuais, como menção à internet e há elementos arcaicos, como os carros. É algo que beira o Steampunk.
A produção é belíssima. Apesar de ter um tom de fábula, quase infantil, a série tem elementos adultos e o visual oscila entre o colorido e sombrio, agrandando tanto o público jovem como o mais velho.

Os livros já foram adaptados em 2004 para o cinema, com Jim Carrey no papel do vilanesco conde Olaf. O filme, apesar de ter tido boas críticas, não teve continuação e adaptou apenas os três primeiros livros. O filme se baseia praticamente na faceta de Jim Carrey (que está maravilhoso no filme, diga-se de passagem) e por causa do pouco tempo acaba deixando muita coisa de lado. A série, por outro lado, tem muito tempo para a narrativa, além de diversos atores terem bons desempenhos. Catherine O’Hara interpretou a juíza Strauss no filme, e agora volta na série no papel da Dra. Georgina Orwell.

A abertura da série é encantadora e muda a cada dois episódios, sendo atualizada aos novos acontecimentos. Antes da estreia, a Netflix divulgou a abertura e vale conferir:

 

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Uma grande produção Netflix, que encanta e tira boas gargalhadas do público. Uma trama que aparenta ser rasa, mas é cercada de mistérios. Com boas atuações, tendo Neil Patrick Harris roubando a cena.
Ignore os avisos do narrador e não perca essa Desventura. Os desastrosos acontecimentos dos irmãos Baudelaire apenas irão melhorar o seu dia.