Críticas destaques Notícias

Crítica | O Mínimo para Viver

20, jul, 2017 Wellington Rafael

Titulo: O Mínimo para Viver (To the Bone)
Produção: Netflix
Direção: Marti Noxon
Gênero: Drama
Ano: 2017
Duração: 1hr e 7min
Classificação: 5/5

Uma jovem (Lily Collins) está lidando com um problema que afeta muitos jovens no mundo: a anorexia. Sem perspectivas de se livrar da doença e ter uma vida feliz e saudável, a moça passa os dias sem esperança. Porém, quando ela encontra um médico (Keanu Reeves) não convencional que a desafia a enfrentar sua condição e abraçar a vida, tudo pode mudar.

A Netflix adicionou a plataforma sua nova produção To the Bone ou O Mínimo para Viver, protagonizado por Lily Collins. O filme tem como foco a Anorexia. A trama eleva os questionamentos dos telespectadores e ainda causa desconfortos com cenas chocantes. O drama conta a história de Ellen (Lily Collins), que sofre de anorexia, um distúrbio alimentar que afeta milhares de jovens e adultos ao redor do mundo, e que irá tentar se tratar com a ajuda de William Beckham (Keanu Reeves), que utiliza uma abordagem diferente para tratar a doença.

A direção e roteiro do filme são de Marton Noxon, que revelou em uma entrevista já ter sofrido de anorexia quando era mais jovem, bem como a atriz Lily Collins, que também afirmou já ter sofrido com distúrbios alimentares, que disse em outra entrevista: “Acho que pelo jeito com que [a história] foi escrita e contada é uma maneira que só pode ser contada por alguém que realmente tenha passado por isso, porque há um senso de humor estranho usado por nós… o que faz com que [a situação] não seja tão pesada, na falta de outra palavra”.

Filmes que abordam temas de doenças graves como essa normalmente caem no estereótipos, caso o transtorno vivido pela protagonista fosse romantizado, ou se ela tudo se passasse como se ela fosse a culpada de seu estado atual, algo que não acontece aqui.

O roteiro de Nixon é incrível ao mostrar que quem sofre de anorexia ou bulimia pode parecer estar fazendo uma escolha, mas que na verdade, é uma escolha não consciente e pode ser motivada por vários fatores externos, como por exemplo: problemas familiares, problemas de bullying, falta de autoestima, solidão etc. Logo no começo da trama a protagonista demonstra acreditar que está ciente de tudo o que faz e de que está sob controle de toda a situação e satisfeita consigo mesma, mas logo sua condição começa a causar um impacto negativo dentro da sua família o que já é uma das maiores causas para suas escolhas. O interessante é ver os problemas de convivência que a jovem passa dentro de sua família, desde a falta do pai – que é mencionado durante o drama todo mas nunca aparece – que trabalha muito, até a convivência com sua mãe – que se assumiu homossexual e vive com sua parceira. A visão geral que temos de dentro da casa da protagonista, faz entendermos em partes suas escolhas, mas como disse a pouco, escolhas as vezes não conscientes.

A trama traz um peso emocional enorme, onde podemos ver em Ellen a aparência esquelética de Lily Collins, que perdeu bastante peso para protagonizar a história. A atriz de 28 anos revelou ter passado por uma dieta rigorosa para poder trazer a realidade mais próxima para a anorexia, mostrando com veracidade os aspectos físicos que a doença traz e o impacto que essa aparência traz é imediato, pois em todo o momento é possível ver o desconforto ao ver a personagem naquela situação, com sua saúde extremamente frágil, os lábios secos e seus olhos fundos. Causa no telespectador um desconforto enorme.

A superação de Ellen durante o longe é devagar. Novos personagens surgem e vão ajudando Ellen nessa jornada de cuidados consigo mesma e ao mesmo tempo vão retratando estados da doenças – o que achei interessante, pois é um modo de mostrar vários estágios e diferentes modos de anorexia sem colocar todo o peso em cima de uma personagem só, mostrando em outros ao redor dela. Um pequeno romance é instigado quando Luke se aproxima de Ellen, que vira algo para reforçar sua recuperação. O Médico (Keanu Reeves) me chamou bastante a atenção. O modo como o doutor trata seus paciente é diferente, podemos dizer que ele não diz algo somente para reconfortar, ele os confronta, fazendo-os a olhar para a vida, fazendo-os que eles queiram viver. Ele utiliza da psicologia e joga com a visão que o doente tem de si mesmo, fazendo-os olhar para si e buscar a vontade de viver e melhorar. Ele liga o foda-se para a doença e trata como se a cura tende vir de dentro para fora, mas trazendo sempre o sentimento de esperança e motivação que seus pacientes precisam.

O Mínimo para Viver foi um filme que me tocou, as cenas de Ellen quase nua para mostrar seu corpo esquelético chocam, além de outros dramas inseridos na trama para mostrar o quanto a anorexia pode transformar uma pessoa em um cadáver. O filme chega no ponto central da doença, onde em uma cena a meia-irmã de Ellen é questionada sobre a doença e ela diz que não entende, ela diz “basta comer”. Mas não é assim que funciona a anorexia, e o enredo foi muito bem produzido para dar as pessoas o entendimento necessário de que essa doença vai além da ausência de comida.

To the Bone é um filme sensível, tocante, que traz um debate importante sobre distúrbios alimentares e como eles impactam a vida daqueles que sofrem com estes distúrbios e que serve para alertar as pessoas do perigo que a anorexia trás.