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Crítica | 1922

23, nov, 2017 Wellington Rafael

Eu havia me esquecido desse lançamento. Zapiando pelo catálogo da Netflix dei de cara com esse lançamento e fiquei: AI MEU DEUS! Mais uma obra de Stephen King adaptado para as telas da TV, depois de It – A Coisa e Jogo Perigoso. A mais nova produção é baseada em um conto do livro “Escuridão Total, Sem Estrelas”. Em uma fazenda, vive uma família extremamente tradicional, fundada de bons modos e valores cristãos rigorosos. Não estamos diante de uma história de terror macabra e sim diante de uma história repleta de segredos: o pai ambicioso e calculista, o filho imaturo e impulsivo, a mulher rigorosa e avarenta. A luta do homem contra sua própria mente. A luta do homem diante de tantos erros. Em 1922 tudo era diferente (?).

O roteiro é do diretor Zak Hilditch que nos apresenta a história de Stephen King de uma maneira detalhista e menos acelerada. Wilfred James (Thomas Jane) é um homem que em algum momento tivera a família ideal: a esposa submissa e o filho que iria herdar tudo, mas hoje tem dentro de si uma solidão enorme devido aos seus erros. Depois de assassinar sua esposa, por ela tê-lo ameaçado vender suas terras e de levar Henry (Dylan Schmid), o único filho do casal, embora consigo, Wilf acaba transformado sua vida em um verdadeiro pesadelo. O jovem Henry, que é apaixonado por uma garota, sua vizinha, é envolvido nessa vida criminosa e Wilf é visitado pelo fantasma de sua antiga esposa.

O diretor consegue se aprofundar nas metáforas abordadas por Stephen King em seu conto. Apresenta os pensamentos do pai aos poucos, de “normal” para o assassino. Tudo é apresentado com naturalidade, do convívio com sua esposa e filho, o que aos poucos vai fazendo a quem assisti, se surpreender com as atitudes de Wilfred, onde mesmo quem acredite que toda pessoa tenha o mal dentro de si, vai se questionar sobre os reais limites e ações do tal personagem.

O modo que a “vingança” da mãe Arlette (Molly Parker) é abordada pelo diretor é incrível. Não dá muito para destinguir entre realidade e ilusão, pois tudo é muito rápido, em cenas agoniantes (como a cena do porão, por exemplo, que deixa você sem fôlego), porém a presenta da esposa é bem colocada na adaptação. O interessante de “1922” é ver como um ato do passado pode te deixar transtornado no futuro e destruir sua mente, como fez com Wilfred. Em certos momentos cheguei até ter uma empatia por Wilfred, talvez tenha sido uma sacada do diretor intencional, pois os verdadeiros vilões da história são os ratos. Se você tem pavor de ratos, pense bem antes de assistir.

Um personagem que é deixado de lado pelo diretor é Henry, acredito eu que seu intérprete, Dylan Schmid, também não tenha conseguido destaca-lo muito, mesmo com os longos diálogos entre pai e filho, o personagem não de destacava muito. Henry, embora tenha ajudado no assassinato de sua própria mãe, não foi movido pelos mesmos motivos e interesses do pai, por ele, teria outro jeito.

Enfim, “1922” falta um pouco de ritmo, para alguns pode parecer arrastado. A obra, entretanto, consegue entregar uma excelente cinematografia além de ser este mais um bom representativo da literatura de King. Thomas Jane é certamente uma grande surpresa, entregando uma forte figura e trazendo uma desconstrução verdadeira ao personagem. O mais novo lançamento da Netflix pode até não ser tão sufocante quanto Jogo Perigoso ou aterrorizante como It – A Coisa, porém certamente vale muito a pena conhecer essa família tradicional de 1922, que tanto tem parecido com as famílias de hoje.