Nosso Livro

Capítulo 16 – O Som do Amanhã

24, fev, 2017 Luana Leão

Capítulo 16

São Paulo, 21 de Fevereiro de 2014

Sedina Pub – 20h

 

 

Primeiro eu estava com medo. Agora estou petrificado.

Não, espera! Isso é a letra de uma música!

Mas mesmo assim se encaixa perfeitamente no contexto de toda a parada.

Os olhos falam muito mais do que a boca, já parou para pensar sobre isso? Você pode dizer que está feliz e seus olhos mostrarem tristeza, você pode dizer que está bem e suas pupilas se dilatarem de tanto medo. Os olhos não mentem!

Voltando à música, não somente os olhos de Sol Fierce mas o corpo todo dela se petrificou diante a minha pergunta. Seus olhos tremerem e ficaram de um cinza escuro. O brilho, não estava mais lá! Foi substituído por uma encarada agreste, sem vida. E foi através daquele olhar que eu finalmente entendi o que todos estavam tentando me dizer há tempos: A Sol por quem eu havia me apaixonado, não estava mais lá.

Como aquele olhar doeu. Doeu mais do que as palavras que vieram depois.

– Rick, Rick, Rick! – somente após a terceira vez eu escutei meu nome.

– Oi! Nossa! Desculpe! Estou distraído – balancei a cabeça tentando me concentrar.

– Percebi! Como eu estava dizendo, temos grande interesse em te lançar. As visualizações de suas músicas no YouTube saltaram depois do anúncio da Sol Fierce no Emiliano e você está até na rádio. Cara, você é um sucesso! E nossa gravadora têm muito interesse em fazer de você uma estrela do rock.

Encarei a figura engraçada ao meu lado. César era um homem de baixa estatura, devido à um sério desvio em sua coluna que o fazia andar emborcado. Seus olhos âmbar eram desproporcionalmente pequenos e o nariz curvilíneo não ajudava a disfarçar a esquisitice. Sobrancelhas grossas como duas taturanas e boca carnuda terminava de compor o seu rosto. Era barrigudo e fumava um cigarro atrás do outro e mesmo sem nenhuma característica que o colocava numa posição favorável, exibia ao seu lado uma mulher da altura de um prédio, loira dos cabelos compridos e ondulados, olhos azuis e silhueta esguia. Ela o olhava com admiração como se fitasse um quadro de Van Gogh.

– A gravadora Mundial quer lança-lo com certa urgência e já estou em posse de um contrato que vale ouro pra você, meu amigo! Basta assinar pra gente começar os trabalhos! Sua vida vai mudar!

Assim como mudou a de Sol.

– Hum…

– Você não está empolgado? – César levantou as taturanas, digo, sobrancelhas e percebi que ele tentava arregalar os olhos minúsculos.

– Eu…bom…eu não sei o que dizer – falei desanimado.

– Não precisa dizer nada, basta assinar aqui – colocou uma pilha de papéis em cima do balcão – Você tem uma caneta aí colega? – acenou para Lucca.

César já tinha entrado em contato comigo algumas vezes e marcamos de nos reunir na Sedina antes dela abrir.

– Quer dizer que eu vou perder o meu melhor cantor? Poxa! Justo agora que o pub estava explodindo de tanta gente! Mas tudo bem, você agora é famoso! – Luan, dono da Sedina, deu uma risada sem graça.

– Sabe o que é César, eu…bom…isso é incrível! Acho que esperei a vida inteira por uma oportunidade dessas, mas…mas acho que eu não vou assinar esses papéis.

– O que? – Cesar flexionou a cabeça para baixo e me olhou como um touro arredio.

– Você está louco Rick? – Luan que estava em pé logo atrás da gente se colocou ao meu lado – É uma grande oportunidade pra você crescer garoto!

– Eu sei! O que eu não sei é se fama é algo que eu quero pra minha vida!

– Quem é que não quer ter fama, amigo?

Suspirei.

– Olha César, eu agradeço muito! Sei que você veio em nome da Gravadora Mundial e ficou muito feliz pelo interesse de vocês em mim, mas a verdade é que eu não quero esse estrelato. Eu gosto da minha vida do jeito que ela é! E sinceramente, não quero vê-la mudando em função de uma agenda lotada e compromissos intermináveis. Tocar aqui na Sedina me faz feliz, me completa. Estou muito bem obrigado com essa vida que tenho. Não quero que ela mude.

César se levantou da cadeira e esfregou o rosto. A loira ao seu lado fez o mesmo, ajeitando o vestido vermelho curto e apertado.

– Sabe Rick, eu estava de férias com a minha esposa e assim que pisei no aeroporto me mandaram vir falar com você imediatamente. Temos grande interesse em você, o que não temos é paciência em ficar esperando.

Tirou da carteira um cartão e jogou no balcão do bar.

– Tem até amanhã para me dar uma resposta. Vamos querida!

Ela acenou com a cabeça e se afastaram.

Luan sentou-se ao meu lado no banco antes ocupado por César.

– Tem certeza disso Ricardo? Não vai se arrepender?

– Luan, eu conheci uma garota linda, de um coração maravilhoso e sorriso deslumbrante. Ela era engraçada e… – comecei a sorrir – tão espirituosa!

Meu sorriso foi diminuindo até minha boca se tornar uma linha reta.

– E então veio a fama e aquela garota foi se tornando uma pessoa fria, estranha e infeliz. Passou a querer mais e mais fama, e nada era suficiente. Então um grande vazio se apossou dela. Eu não quero viver essa mesma história. Eu não quero me deixar encher por um enorme vazio. Consegue entender o paradoxo?

– Isso me lembra uma música.

– Uma música feita por ela.

Me levantei e fui até o palco. Peguei minha guitarra e comecei a cantar uma música composta por Sol Fierce pela primeira vez:

O vazio dói.

            Não por ser vazio, mas por ocupar espaço demais.

            Super lotação do vazio.

Mundo cheio de gente vazia. Solidão.

           

            Dói. O vazio dói.

            Não de sentir, mas de olhar. Olhar o vazio.

            Porque o vazio nunca foi tão visível.

            Está em todo lugar.

 

            E o mais triste é ver tanta gente querendo

            Ocupar o vazio sem saber que, na verdade,

            O vazio já as ocupou…ocuparam…ocuparão.

            Inteiramente. Totalmente.

 

            O vazio dói, porque até ele está cansado de ser vazio.

            Mundo cheio de gente vazia. Solidão.

            Isso sim dói.

 

Dói. O vazio dói.

            Não de sentir, mas de olhar. Olhar o vazio.

            Porque o vazio nunca foi tão visível.

            Está em todo lugar.

 

E o mais triste é ver tanta gente querendo

            Ocupar o vazio sem saber que, na verdade,

            O vazio já as ocupou…ocuparam…ocuparão.

            Inteiramente. Totalmente.

Luan se aproximou do palco.

– Sol Fierce. Desde o dia que ela apareceu aqui eu suspeitei que vocês tinham alguma coisa. Mas você não falou nada! E eu não queria me meter!

– Fomos amigos de infância e fui apaixonado por ela a minha vida inteira.

– Foi apaixonado? Não é mais?

Larguei a minha guitarra no suporte e sentei no tablado que compunha o palco, deixando minhas pernas balançarem no ar. Luan deu um salto e sentou-se ao meu lado. Então contei toda a história pra ele.

– Você sabe que tem em mim um amigo, não sabe? Não sou apenas o cara de que te paga no final do mês, sou seu brother de muitos anos.

Era verdade. Luan era vinte anos mais velho que eu, ou seja, tinha 46 anos, alto, cabelos grisalhos, sorriso branco e alinhado, olhos jabuticabas, corpo malhado e uma legião de mulheres ao redor. Nunca pensou em se casar e ter filhos. A vida dele era aquilo. Trocava o dia pelo noite e um copo de bebida sempre estava em suas mãos. Após meus shows, sentávamos e ficávamos conversando por horas! Nos dávamos muito bem! Ele era como um irmão mais velho.

– Eu sei Luan. Agradeço muito a sua amizade. E agradeço muito por me acolher aqui na Sedina! Isso aqui faz parte da minha vida e se você deixar, quero continuar tocando nesse palco por muito tempo.

– Rick! Você acha mesmo que vou deixar você escapar daqui? Nunca ganhei tanto dinheiro!

Demos uma gargalhada.

– Bom, o que eu mais quero é continuar a minha vida e seguir em frente! Ela fez a escolha dela e…

– Ela casa hoje.

– Eu sei! – falei sério.

– Eu sinto muito Rick!

– Tudo bem, ninguém morre de amor, ou por falto dele, morre?

– Nada como tempo.

– É…nada como o tempo pra amenizar as coisas.

Vamos lá! Deixe-me explicar essa bagunça toda.

Voltemos ao Emiliano.

– É Sol! Está na hora de dizer a todos! Quem sou eu?

Os fotógrafos lutavam entre si para conquistar o melhor ângulo para a melhor foto.

Sol gaguejou algo sem sentido e demorou alguns minutos para se recompor.

Então, esboçou um sorriso irradiante e começou a discursar.

– Há um tempo atrás eu reencontrei um grande amigo de infância – segurou em meus ombros e me fez olhar para as câmeras. – Ricardo Donnas Fertine, mais conhecido como Rick Donnas. Ele me falou que cantava num pub aqui em São Paulo. Um dia fui lá vê-lo, mas infelizmente meu disfarce não durou muito e fui açoitada pelo carinho dos meus fãs – soltou uma risadinha. – Tive que sair de lá correndo. O fato é que eu já sabia que ele era um excelente cantor, mas acabamos seguindo caminhos diferentes e perdemos contato. Mas agora que nos reencontramos, iremos fazer uma parceria, All Stranger feat Rick Donnas. Procurem as músicas que ele fez na internet e verão do que estou falando! Ele é incrível! Além de um ótimo cantor, um grande compositor! Em breve vocês terão uma música maravilhosa nas rádios do mundo todo!

– Que legal Sol!

– Perfeito!

– Que sorte Rick Donnas! Gravar com a musa do Rock não é pra qualquer um.

– O que você tem a dizer sobre isso Rick?

Centenas de exclamações e questionamentos surgiram no salão.

– Eu…bem…eu…

– Rick se cortou vindo pra cá! – Sol interrompeu. – Planejávamos aproveitar o lançamento do meu perfume para contar essa novidade, mas ele não está em condições de falar agora. Por favor, alguém pode acompanha-lo até um hospital!

Segundos depois, Luigi apareceu ao meu lado.

– Vamos Rick! Vamos sair daqui antes que os jornalistas te comam vivo – revirou os olhos.

– Eu vou até seu apartamento mais tarde para conversarmos Rick! – Sol sussurrou.

– Não Sol! Isso não é um até logo. Isso é um adeus.

– Não faça isso Rick.

– Eu não fiz nada, foi você quem fez.

Virei as costas e sai sendo escoltado por Luigi e um segurança.

– Rick, você vai lançar um CD ou é apenas uma parceria isolada?

– Rick, você sairá em turnês com o All Stranger?

– Rick Donnas, vocês já planejavam se juntar há muito tempo?

– Pessoal, o Rick está machucado! Vamos soltar um comunicado em breve sobre isso, ok? – Luigi uivou impaciente.

Chegamos na saída do Hotel.

– Bom Ricardo, acho que você chegou na reta final desse relacionamento com a Sol, mas pode tirar uma vantagem disso tudo! Essa ideia de uma parceria é até interessante! Você é um ótimo cantor. Pode dar certo!

Lancei um olhar de desprezo para Luigi.

– Você nunca aprovou nosso romance, estou certo?

– Queridinho – falou de modo afetado – não vou mentir. Tenho um certo apreço por sua pessoa, porque graças a você, a Sol foi parar naquele Spa em Miami, lugar onde a conheci. Mas daí falar que quero vê-los juntos! Ah! Isso já é um grande exagero.

– Você não se importa com a felicidade dela! Você só se importa com o próprio umbigo – rosnei.

– Lave a sua boca para falar de mim, meu bem! Você a desprezou e eu a acolhi! Graças a mim ela se tornou essa estrela adorada por todos! Ela é tudo na minha vida! O que eu mais importo é com a felicidade dela!

– Ela me ama Luigi, e está desistindo desse amor por sua má influência!

– Se ela te amasse tanto assim tinha aberto o jogo ali, agora, na frente daqueles jornalistas. Mas ela não o fez, não é verdade?

– Porque você colocou o peso de toda a banda nas costas dela.

– Ricardo, ouça bem, eu lutei muito para chegar onde estou. Escondi aqueles vídeos que você fez pra ela no YouTube como se minha vida dependesse daquilo e não vai ser agora, perto do casamento dela com Ryan, que vou deixar uma rapazote desconhecido estragar os meus planos, está me entendendo? – disse ameaçadoramente.

– Então a culpa foi sua dela não ter visto os meus vídeos? Seu filho da puta desgraçado – apertei o braço de Luigi com muita força e colei a minha testa na dele.

– Me solte ou eu mando o segurança te dar uma surra que vai deformar esse seu rostinho barbudo.

O segurança de quase dois metros de altura deu um passo pra frente.

Larguei o braço de Luigi. Não por medo do segurança, mas para não cometer uma besteira e parti-lo em pedaços.

– Tudo poderia ter sido diferente! A vida da Sol poderia ter sido diferente!

– Claro! Ela continuaria sendo aquela menininha sem graça e desengonçada e…

– Feliz!

Luigi revirou os olhos.

– Você não sabe nada sobre a vida dela e sobre o que a faz feliz! Agora vá embora e nunca mais apareça. Esqueça Solange Souza. Ela não existe mais.

– Você não se importa nenhum um pouco com a felicidade dela, você só importa com você mesmo! – sacudi a cabeça inconformado. – Ela está se auto destruindo Luigi, e quando não sobrar mais nada dela, lembre-se que a culpa foi inteiramente sua.

– Saia daqui! – gritou.

Me virei e saí.

No dia seguinte minha foto estava em todos os sites de fofoca e revistas: SOL FIERCE LANÇARÁ MÚSICA COM AMIGO DE INFÂNCIA RICK DONNAS.

Meus vídeos alcançaram a casa do milhão e o pub tinha filas quilométricas de pessoas querendo entrar para ver meus shows. A Sedina abria somente às dez da noite, mas as filas começavam a se formar às cinco da tarde, toda sexta, sábado e domingo que eram os dias que eu tocava.  Diversas gravadoras me ligaram até que marquei de encontrar com o representante da mais insistente, a Gravadora Mundial, para dar um basta naquilo tudo. Eu não ia gravar porcaria de música alguma com o All Stranger muito menos tinha interesse em ficar famoso as custas de Sol Fierce. Ela que armou esse circo, pois que ela tratasse de desfazê-lo. Toda vez que me perguntavam a respeito da tal música eu respondia a mesma coisa: Não tenho nada a dizer sobre isso. Falem com a Sol, essa história saiu da boca dela, não da minha.

– Bom, então já que a casa não vai mais perder o seu cantor, vamos aproveitar dessa fama o máximo que podemos – sorriu e saltou do palco.

– A casa já enchia antes dessa palhaçada toda Luan! Não seja injusto! – me levantei e fui organizar o microfone

Ele sorriu.

– Eu sei! Você não precisa de Sol Fierce nenhuma para provar o seu talento. Mas agradeço a ela por me deixar um cara ainda mais rico – gargalhou. – Desde a primeira vez que ela apareceu aqui a casa ganhou mais popularidade. Depois que ela soltou que ia gravar uma música com você então…

Balancei a cabeça de um lado para o outro sorrindo.

– Mal sabem eles que isso nunca vai acontecer.

Lucca se aproximou do palco.

– Rick, eu não ia te mostrar isso mas, cara, melhor você saber agora. O casamento da Sol é hoje, você viu?

Esfreguei o rosto. Lucca já sabia de toda a minha história com a Sol. Eu contei a ele no dia seguinte à aquele estardalhaço todo. Trabalhávamos juntos a muito tempo e a verdade é que as pessoas da Sedina se tornaram a minha segunda família.

– É…eu fiquei sabendo.

– E ficou sabendo que ela fugiu no meio da cerimônia?

– O que? – meu fôlego faltou.

– Está em todo lugar. Veja.

Ajoelhei no palco e ele me mostrou a tela do celular.

SOL FIERCE SAI CORRENDO EM CERIMÔNIA DE CASAMENTO COM RYAN ADAMS.

            SOL FIERCE ABANDONA NOIVO NO ALTAR.

            SOL FIERCE APRONTA MAIS UMA.

– Minha nossa! – coloquei a mão na boca.

Passou alguns minutos e a porta de entrada da Sedina começou a sacudir. Olhamos todos em direção a ela e começamos a ouvir um barulho infernal do lado de fora. Muitos gritos e assovios.

– Mas que merda está acontecendo? – Marcos, o segurança grandalhão, perguntou furioso. – Só me faltava essa! Esse povo arrombar a porta para te ver Rick!

– Olha isso Rick! Sol está aqui fora! Ela está aqui na Sedina! Olha a minha Timeline do Facebook! Um monte de fotos e vídeos dela aí fora.

– O que? Ela está aqui?

A porta voltou a estremecer com as milhares de batidas fortes contra ela.

– Abra a porta Marcos – falei exasperado e pulei do palco – Abra logo!

Ele obedeceu e Sol foi arremessada para o lado de dentro, caindo de quatro no chão. Luan, Lucca e os outros funcionários do pub correram até a porta para ajudar Marcos a conter a multidão que tentava entrar e conseguiram fecha-la.

Fiquei olhando a cena perplexo, sem conseguir me movimentar.

– Você se machucou? – Marcos ajudou a Sol a se levantar.

Ela estava com um vestido branco todo bordado em cristais. Uma coroa reluzente na cabeça e os cabelos que deveriam estar presos, com algumas partes soltas e bagunçadas. Seus rosto, assim como o vestido era branco como uma folha de papel e sua maquiagem estava escorrendo pelo rosto por causa das lágrimas.

– Sol, o que você fez? – finalmente consegui falar.

– Eu…eu… – disse cambaleante se aproximando de mim – Eu precisa te ver. Precisava…precisava… pedir desculpas.

Chegou até onde eu estava e desabou.

– Sol! Minha nossa! O que está acontecendo?

A mão dela tremia. O corpo todo dela tremia. Sentei no chão com ela em meus braços.

– O que você fez?

– Tomei… alguns… comprimidos – sua voz era trêmula e pausada.

– Luan ligue para um ambulância, pelo amor de Deus! Agora – berrei desesperado. – Calma Sol! Você vai ficar bem! – meus olhos encheram de lágrimas.

– Me…me des…desculpa Rick!

– Não precisa se desculpar! Está tudo bem! Está tudo bem! – passei a mão em seu rosto e olhei para Lucca. – Me ajude aqui! O que eu devo fazer?

Lucca começou a andar de um lado para o outro desnorteado.

Luan falava ao telefone, solicitando urgentemente uma ambulância e os demais funcionários olhavam a cena congelados.

– O que você tomou Sol? O que você fez? – minha voz saiu banhada de um mais límpido pavor.

– Rick! – Sol começou a tremer ainda mais – Eu…te…amo! – sussurrou tão baixo que tive que colocar minha orelha em sua boca para ouvir. –  Eu…eu…sempre te…te…amei! Eu…sinto…sinto muito por todas…essas…decisões erradas. Seja muito….muito…fe…feliz!

A boca de Sol começou a espumar e ela começou a se contorcer em meus braços.

– Sol! Sol! – berrei segurando em sua cabeça para ela não bater contra o chão – Me ajudem! – gritei.

Ouvimos o som da ambulância. Os socorristas bateram na porta e Marcos abriu. Policiais já continham a multidão curiosa do lado de fora. Os socorristas entraram na Sedina e me afastaram. Levantei e coloquei as mãos na cabeça desesperado observando-os tentaram reanima-la.

Rasgaram o seu vestido e começaram a massagem cardíaca. Sol já havia parado de se debater e estava imóvel no chão.

– 1, 2, 3, 4, 5, 6… – contou um dos socorristas.

Ficaram ali o que parecia uma eternidade até um segundo socorrista segurar o pulso fino de Sol e balançar a cabeça em negativa. Depois olhou no relógio e disse:

– Horário do óbito, nove e dezessete.

Aquelas palavras entraram em meu ouvido como uma faca afiada.

– Óbito? Você disse óbito? – minha voz mal saia.

Luan e Lucca se aproximaram de mim.

– Você está mentindo! Tente mais! Ela não morreu! Levem-na ao hospital! Você não é médico, é? Você não sabe de nada! Ela não morreu! Ela…ela… vocês são uns idiotas! – berrei tão alto que os copos das prateleiras do bar vibraram.

Me aproximei e empurrei os socorristas. Ajoelhei no chão e comecei a sacudir o corpo inerte de Sol.

– Para com isso Sol! Acorde! Você não morreu! Acorde! Não faça isso comigo! Por favor – solucei – não faça isso comigo!

Luan se aproximou de mim, me puxou e me abraçou com força!

– Calma Rick! Calma, cara! Você vai ter que ser forte!

Ser forte!

Força.

Então, eu deixei a enxurrada de lágrimas me levar.