Nosso Livro

Capítulo 14 – O Som do Amanhã

10, fev, 2017 Luana Leão

Capítulo 14

São Paulo, 06 de Janeiro de 2015

Residencial Monte dos Lírios – 03:15h

 

– Tenho o direito de saber quem é ela!

– Já pedi para você esquecer isso – tentei enfiar a chave na fechadura, mas minhas mãos tremiam.

– Você sempre deixa a porta aberta Rick – Aline entrou na minha frente e girou a maçaneta. – Viu? – a porta se abriu.

Deixei escapar um som gutural de desaprovação vindo da garganta e entrei em meu apartamento.

– Você está tão transtornado que sequer se lembra de uma coisa básica dessas.

– Aline, por favor…. – joguei minha guitarra no sofá impaciente.

Abri a geladeira e peguei uma cerveja. Forcei a tampa na pedra do balcão, ela pulou e tomei um gole.

– Rick, por favor digo eu! Eu te amo! Eu te amo mais do que já amei alguém em toda a minha vida!

Ela se aproximou e segurou meu rosto.

– Me deixe participar disso! Me deixe entender o que se passa…o que se passa na sua cabeça, no seu coração.

Os olhos dela suplicavam uma explicação. Sua boca entreabriu ofegando desespero. Ela tentou arrancar alguma coisa de mim durante todo o percurso entre a Sedina e minha casa. Eu queria ter ido sozinho, mas Aline quando quer alguma coisa, sabe ser bastante insistente.

Segurei em suas mãos delicadamente e as retirei do meu rosto.

Suspirei.

Dei a volta no balcão e sentei no sofá. Aline permaneceu de costas com o rosto voltado para baixo. Fiquei remexendo em doloridas lembranças e rangi os dentes. Tudo bem! Vou ter que dizer alguma coisa!

– Era uma amiga de infância – comecei.

Aline olhou para mim, andou até o raque e sentou à minha frente.

Dei mais um gole na cerveja.

– Fazíamos tudo juntos. Éramos grudados.

– Você a amava.

– No início da nossa adolescência eu achava que era só um carinho enorme, mas depois eu percebi que era muito mais do que isso.

– Vocês namoraram?

– Aí é que tá! Ela tinha uma certa dificuldade com… – bufei inconformado – com a balança…

– Era gorda.

Esfreguei a boca.

– Era muito gorda. E por isso tinha a mania horrível de se minimizar diante outras garotas. Eu nunca consegui me aproximar sentimentalmente dela, sabe. Mas eu confesso que a culpa foi mais minha.  Eu nunca disse a ela o que eu sentia de verdade porquê…porquê…

– Porque ela era gorda.

Fitei a garrafa de cerveja em minhas mãos.

– Porque ela era gorda e todo mundo enchia meu saco por causa dela. A verdade é que eu fui um babaca covarde que deixou escapar a mulher que amava por causa de um padrão machista de beleza imposto por essa sociedade hipócrita que dá mais valor na pessoa pelo seu físico do que pela sua essência.

– Você era jovem Rick. Jovens são estúpidos e agem de forma estúpida.

– Eu a amava Aline – a encarei. – Eu a amava muito. E sinceramente, o fato dela ser gorda não me incomodava. Ela era linda daquele jeito. Linda, talentosa! A voz dela, minha nossa! O olho, a boca! Tudo dela era sensacional! Daquele jeito! Ela não precisava emagrecer nem um quilo sequer para meu amor aumentar. Eu já a amava o suficiente exatamente daquele jeito. Exatamente daquele jeito – repeti pausadamente a última frase.

– Nossa! – os olhos de Aline encheram de lágrimas. – Queria ouvir você falando assim de mim.

– Line – balancei a cabeça – eu ainda a amo. Por anos eu tentei esquecê-la. Ela foi embora do país e eu tentei acha-la de todas as formas.

– Suas músicas no YouTube…

Balancei a cabeça em afirmativa.

– São todas pra ela.

As lágrimas desceram envergonhadas pelo rosto de Aline.

– Eu sinto muito! – falei com sinceridade.

– E por que vocês não estão juntos? – perguntou num soluço.

– Nossas vidas tomaram caminhos opostos. Ela mudou muito. Ela se transformou em outra pessoa e eu…e eu continuo o mesmo. Acho que ela pensa que a quero de volta por causa da grana dela, ou porque ela emagreceu, sei lá.

– Ela não é mais gorda?

– Magra até demais.

– Eu também pensaria isso Rick. Também acharia que você estava atrás de mim porque eu emagreci e tudo mais.

– Eu sei – abaixei a cabeça. – Não a culpo por isso.

Aline se ajoelhou a minha frente, tirou a garrafa de cerveja de minhas mãos, a colocou no chão e entrelaçou os dedos nos meus.

– Eu tenho amor por nós dois.

– Line…

– Me deixe tentar. Por favor, não me tire da sua vida.

– Line eu não posso…

– Rick, por favor! Eu te amo! Eu prometo que vou fazer você esquecê-la.

Ela se levantou, selou a boca na minha e sentou em meu colo.

– Line, não faça isso.

– Me dê uma chance de tentar – ela segurou o botão da minha calça e tentou abri-lo.

Me beijou novamente como se aquilo fosse salvar nosso relacionamento.

– Aline pare.

Ela tirou minha camiseta que ainda estava molhada e beijou meu pescoço.

– Rick eu te amo – senti suas lágrimas escorrendo em meu peito.

Ela forçou minha calça para baixo e eu segurei firme em sua mão.

– Não! – falei incisivo.

A tirei do meu colo, colocando-a sentada no sofá e me levantei.

Balancei a cabeça em negativa.

– Eu não consigo.

As lágrimas antes tímidas se tornaram torrenciais.

– Por favor, não chore.

Segurei em sua mão, a puxei fazendo-a levantar e a abracei.

– Você é linda! Uma chef brilhante e de muito, muito sucesso! Tem o homem que quiser aos seus pés.

– Não, não tenho. Não tenho você aos meus pés. E você é o único homem que me interessa.

Limpei as lágrimas que escorriam no rosto vermelho de Aline e dei um beijo em sua cabeça.

– Não termine comigo – suplicou.

– Line…- suspirei. – Você merece alguém melhor do que eu…

– Não quero alguém melhor do que você! Eu quero você! Só não decida nada agora. Eu vou embora. Mas vou embora sabendo que ainda estamos juntos. Que ainda sou sua namorada e que vamos tentar resolver tudo isso.

– Aline…

– Rick, você me deve ao menos isso. Uma chance! E não é só uma chance pra mim, é pra você também. Se ela te amasse como você diz que a ama, ela estaria aqui com você, não acha? Mas ela não está. Sou eu quem está aqui ao seu lado. E eu estou disposta a dar todo o meu amor a você!

Fiquei encarando-a por alguns segundos.

– Rick, ela não está aqui! Eu estou! Eu estou inteiramente aqui!

– Tudo bem!

Ela suspirou aliviada.

– Obrigada! Eu…eu vou embora. A gente se fala amanhã, tá bom?

Eu não respondi.

– Tá bom? – perguntou novamente preocupada.

– Tá bom.

– Ótimo! – passou a mão em meu rosto, me deu um beijo demorado, me olhou alquebrada e saiu vagarosamente.

Me deixei cair no sofá.

Olhei para o lado. Meu violão estava escorado na parede. O peguei, fechei os olhos e comecei a tocar:

 

Quando voltar, por favor traga consigo

As boas lembranças dos tempos de gargalhadas

Cumplicidade, amor, esperança

 

Quando voltar, por favor traga consigo

O abraço apertado, a respiração entrecortada

O afago ilimitado, seu sorriso de criança

 

Quando voltar, por favor traga consigo

O dolo acanhado, o jeitinho safado

De quem quer confusão

 

Quando voltar, por favor traga consigo

O rosto molhado, o coração desarmado

De quem finalmente me deu o seu perdão

 

Quando voltar, por favor traga consigo

A certeza estampada, que essa dor recalcada

Será como pó no sertão

 

Quando voltar, por favor traga consigo

Minha metade arrancada, minha alma sangrada

Devolva meu coração.

 

Assim que toquei o último acorde, abri os olhos e vi um vulto na porta do meu quarto. Curvei as sobrancelhas.

O vulto começou a se aproximar e então…

– Sol? Mas o que…

Ela veio andando rápido em minha direção. Escorei o violão no braço do sofá, me levantei apressadamente e fui ao seu encontro.

Nos abraçamos e nos beijamos.

– Sol – falei entre um beijo e outro.

– Eu estou aqui! Me dê o seu amor.

A levantei no colo, e a coloquei delicadamente em cima da cama.

Tirei seu moletom com cuidado, beijando seu rosto e pescoço vagarosamente. Ela curvou as costas e desabotoei seu sutiã libertando seu seios fartos e firmes. Abocanhei, sugando-os suavemente. Ela gemeu.

Deslizei minha boca pela sua barriga e retirei sua calça e tênis. Beijei seus pés e pernas até encontrar seu intimidade, explorando-a toda com a língua.

Sol curvou o pescoço soltando gemidos delicados. Me livrei da roupa e me conectei a ela, num único movimento.

Ainda chovia lá fora e nossa noite foi como aquela tempestade. Começou como uma garoa fina e suave, depois chuva intensa e estrondosa. Gotas macias como seda, depois pesadas e vigorosas.

O corpo de Sol Fierce era como uma manancial de água fresca e límpida e eu, um homem tórrido ressequido pelo sofrimento. Foi uma junção perfeita.

O dia estava amanhecendo e ainda estávamos enrolados um ao outro, como se não quiséssemos nos deixar escapar. O coração acelerado e gotas de suor por todo o corpo.

– Não consigo acreditar que você está aqui comigo! – falei enfiando meu rosto em seus cabelos bagunçados misturados aos meus.

– Eu precisava vir. Precisava te ver.

– Achei que tinha voltado para os Estados Unidos.

– Tirei alguns dias de férias e só pensava em você.

Ela estava deitada em meu peito e virou o pescoço para olhar pra mim. Aqueles grandes olhos azuis, me encarando com afeto.

– Eu não estava suportando mais a dor em meu peito. Precisava te ver, te sentir – voltou a deitar em meu peito. – Então quando já não dava mais para resistir, fui até a Sedina.

– Por que saiu correndo? Por que não me esperou?

– Eu não podia correr o risco de alguém me reconhecer. Então pedi ao motorista para me deixar aqui. A porta estava aberta e entrei. Fiquei esperando você aqui no quarto e quando o ouvi chegando, me preparei para me jogar em seu braços mas ouvi a voz de uma mulher e recuei.

– Aline…

– Escutei toda conversa Rick. Ela te ama muito.

– E eu amo você.

Sol me apertou.

– Escutei isso também. Obrigada, obrigada pelas músicas! Ouvi todas! São maravilhosas!

O celular dela começou a tocar. Estava jogado no chão. Nos levantamos e consegui enxergar na tela: Ryan. Dois segundos depois, o meu começou a tocar. Aline.

Trocamos olhares.

– E agora Sol? O que vamos fazer?

– Eu tenho que voltar pra minha vida.

A encarei confuso.

– Como é que é?

– Meu casamento está marcado para mês que vem.

– Fiquei sabendo! – bufei revirando os olhos.

– Você não tem noção a quantidade de contratos publicitários que fechamos em função disso.

– Você vai se casar com uma pessoa que não ama, por causa de alguns malditos contratos? – minha voz soou exaltada.

– São milhões em contratos Rick.

Levantei e esfreguei a boca inconformado.

– E a gente? E isso que aconteceu? – espalmei as mãos na perna.

Sol se levantou e começou a vestir a roupa.

– Sol…

Ela vestiu a calça, depois o moletom. Sentou na cama e começou a calçar o tênis e eu olhando a cena em pé, pelado, cabelos lisos abaixo do ombro, soltos e bagunçados.

– Sol…

Ela passou por mim, então agarrei o seu braço, a joguei contra a parede, fazendo-a bater com as costas e espremi meu corpo junto ao dela.

– Não vá embora – colei minha testa na dela.

– Eu não posso jogar tudo o que conquistei fora Rick.

– Não quero que faça isso! Vamos dar um jeito de ficar juntos sem prejudicar sua carreira.

– Como? Se eu desistir de me casar com Ryan, já estarei prejudicando minha carreira. Estarei prejudicando a banda e não vou fazer isso de novo.

Fiquei encarando seus olhos tentando decifrá-los como um código de salvação. Mas eles estavam firmes. Firmes e decididos.

Recuei e sentei na cama fitando a parede pálida do meu quarto.

Sol se virou para ir embora mas parou, me olhou e sentou ao meu lado.

Suspirou de forma pesarosa.

– Assim que me separei do Ryan, fiz uma festinha no quarto do hotel que eu estava hospedada. Tinha tanto homem e tanta droga que você não faz ideia. Fiquei provocando um dos rapazes que estava lá, desafiando-o a usar mais e mais drogas, até que ele teve uma overdose e morreu ali, na minha frente. O advogado me falou para jamais dizer isso a alguém, mas a verdade foi que ele só morreu por minha causa. Eu o fiz aumentar a dose, eu o desafiei a usar mais e mais a minha droga. A droga que eu forneci. Eu matei aquele homem.

Sol tapou o rosto com as mãos e a ouvi chorar. Dei-lhe um abraço.

– Não fique se torturando, Sol. Ele podia ter dito não. Se usou muita droga, foi porque ele quis.

– Gastamos horrores com advogados. Perdemos shows, foi horrível. A popularidade da banda foi parar no fundo do poço. Luigi fez de tudo para reerguer nossa moral. Graças ao trabalho dele, a banda não foi destruída. Por minha causa, All Stranger estava chegando ao fim e Luigi a colocou no topo de novo. Não posso decepcioná-los novamente.

– Não quero ficar sem você – sussurrei.

– Mesmo se eu desistisse do casamento com Ryan, como seria a nossa relação? Você largaria tudo pra me acompanhar? Eu não tenho estadia fixa. Viajo o mundo inteiro o tempo todo. Tenho mil compromissos.

– Daríamos um jeito.

– Que jeito? Que jeito Rick? Minha vida é uma loucura! Você facilmente iria se cansar – Sol se levantou.

– Jamais que cansaria de você – me levantei também.

Ficamos nos olhando em silêncio por alguns minutos.

– Poderia vestir alguma roupa? – Sol olhou para o teto. –  Está difícil ter uma conversa sensata com você assim, pelado.

Aquele comentário me quebrou de mil maneiras. Não aguentei e comecei a rir.

A puxei pela mão e a joguei na cama.

– Então não vamos conversar. Vamos fazer outra coisa.

Arranquei apressadamente suas roupas e fizemos amor com ainda mais paixão e fogo.

Algum tempo depois, coloquei uma calça de moletom, ela vestiu a roupa e fomos para a sala.

Fiz um café e servi uma xícara para ela.

– A próxima vez, prometo preparar um café da manhã maravilhoso pra você. Mas eu quase não paro em casa, e aqui não tem muita coisa pra comer. Na verdade, não tem nada. Mas prometo que irá ter bacon, ovos, rosquinhas de açúcar e canela e todas aquelas coisas que você gosta.

Sol gargalhou.

– Não como isso há décadas Rick!

Enrubesci envergonhado. É claro que não come! Como sou idiota!

– Preciso ir Rick. Mas antes, posso usar o seu banheiro?

– Claro! A casa é sua! – sorri.

Pouco tempo depois ela estava de volta.

– Bom, tenho mesmo que ir e…

– O que é isso? – apontei para seu rosto.

– Isso o que?

Me aproximei e passei o dedo no nariz de Sol.

– Essa merda aqui Sol! Você trouxe droga pra cá? Você… – coloquei a mão na cabeça irritado – Você acabou de cheirar pó?

– Tenho um longo dia pela frente.

– Você não disse que está de férias? – enruguei a testa.

– Estou de férias dos shows, isso não quer dizer que não tenho outros compromissos.

– Que merda Sol! – esbravejei. – Me deixe ver uma coisa.

A segurei e comecei a mexer nos bolsos de sua calça.

– Pare Rick!

Achei dois pacotinhos com pó dentro.

– Me devolva isso! Me devolva agora! – Sol gritou num mix de raiva e pavor.

– Não vou devolver merda nenhuma – levantei o braço para o alto afim dela não alcançar.

Andei em direção ao banheiro e ela me seguiu tentando puxar meu braço para baixo e pegar os pacotes.

– Não faça isso Rick! Isso é meu!

Entrei no banheiro, abri o pacote com os dentes porque minha outra mão estava impedindo a Sol de pegar a droga, despejei tudo na privada e dei descarga.

– Nãoooooooooooo! – Sol berrou. – Seu idiota! Olha o que você fez? Como é que eu vou…como…ahhhhhhhhhhhhhhhhh!

Ela me deu um soco no peito. Depois me empurrou com muita raiva.

A segurei com força e dei-lhe uma chacoalhada.

– Olha pra você! Olha o que se tornou Sol! – falei alto e firme tentando amortecer os socos que ela estava me dando.

Consegui segurar ambos os seus braços e a abracei.

– Pare! Pare! – falei mais baixo.

Aos poucos ela foi se acalmando e amoleceu o corpo.

Em seguida me abraçou com força e colocou o rosto no meu pescoço.

– Me desculpa! – disse entre lágrimas. – Viu no que me tornei? Sou uma dependente Rick! E sabe o que vai acontecer? Eu vou sair daqui e vou arrumar mais droga, porque eu não consigo ficar sem.

– Ah meu Deus Sol! Eu vou te tirar dessa! Eu prometo!

Meus olhos encheram de lágrimas e segurei para não deixa-las escapar.

Ficamos abraçados por um tempo em silêncio.

– Preciso ir! Já estou atrasada. Tenho umas fotos para fazer de uma campanha – disse com a voz ciciada.

A soltei de meus braços contra a minha vontade e passei o dedo em suas bochechas limpando as gotas de lágrimas que ainda restaram.

– Você vai sumir de novo?

Sol soltou um sorriso doce e passou a mão em meu rosto.

– Não! Vou conversar com Luigi. Vou pedir para ele nos ajudar. Mas preciso que você tenha calma. Tenho que fazer as coisas de modo que não prejudique a banda em nada, tudo bem?

– Tudo bem.

– Temos que ser discretos. Não quero escândalos me envolvendo. Não posso fazer isso com eles.

– Eu entendo. E quanto as drogas?

– Rick, não consigo te prometer nada agora. Uma coisa de casa vez.

– Você vai sair daqui e vai conseguir mais.

– Não vou mentir. Vai ser a primeira coisa que irei fazer.

Suspirei inconformado.

– Está bem Sol! Vamos colocar nossa vida em ordem. Vamos ficar juntos e vamos lutar juntos contra isso, ok? Você vai voltar a ficar limpa! Vamos conseguir te tirar dessa! Eu prometo!

Ela concordou com a cabeça apesar de seus olhos se mostrarem desacreditados.

– Agora deixe-me ir. Mais cedo deixei anotado meu telefone na folha de uma partitura sua. Mas deixa que eu te ligo, ok?

Concordei.

Sol me deu um beijo carinhoso e nos abraçamos.

– Eu te amo Rick! Eu sempre te amei.

– Ah Sol! Você sempre foi a mulher da minha vida!

Assim que girei a maçaneta e abri a porta, demos de cara com a Aline.

– Então é ela! – disse raivosa. –  A mulher por quem você é apaixonado é a vagabunda da Sol Fierce.