Nosso Livro

Capítulo 12 – O Som do Amanhã

27, jan, 2017 Luana Leão

Capítulo 12

17 de Abril de 2010

Los Angeles, The Greek Theatre – 01:20h

 

– Minha nossa!! Estou exausta! E ainda temos a segunda parte do show para fazer! Isso é incrível! O teatro está lotado! Eu não esperava isso na nossa estreia! Eu não sei o que estou sentindo! É como se estivesse morrendo de vontade de dormir mas ao mesmo tempo, doida para continuar aqui….

Ryan soltou uma risada alta.

– Eu sei como é isso meu anjo! Você está empolgada, o que é natural! A plateia adorou a banda e nos correspondeu muito bem! Mas a energia acaba! Você deu muito de si naquela palco!

– Dei tudo de mim! – enfatizei.

– Percebi – Muller se aproximou e bagunçou meus cabelos que estavam soltos porém melados pelo suor.

– Você não está acostumada com isso Sol! Mas isso, gata, é só o começo! Precisa de umas vitaminas para aguentar o tranco – Ryan falou com um sorriso no canto da boca.

– Pois é! – concordei inocentemente. – Vou comprar! Vi uma no Algreens que vai de vitamina A à Zinco. Repõe a energia! Parece ser ótima!

Nessa hora, Matt, Muller e Ryan deram uma risada dinamizada e uníssona.

– Não é esse tipo de vitamina que Ryan está dizendo Sol – Matt piscou um dos olhos.

Ryan estava sentado em cima da mesa de maquiagem no pequeno camarim. Ele me olhava divertidamente e deu um pulinho empolgado. Estava ainda mais lindo suado. Calça jeans surrada e camiseta preta colada ao corpo. Pulseiras de couro adornando os pulsos e cabelos arrepiados pelo gel. Olhar abrasador e barba cerrada. Sorriso safado e gestos precisamente calculados para agir de forma mega sexy.

Tirou do bolso de trás um saquinho com um pó branco dentro.

– É esse tipo de vitamina que estou falando – sorriu.

Com o antebraço, derrubou todas as coisas que estavam em cima de mesa grudada na parede diante um imenso espelho. O camarim não tinha mais que 30 metros. Ao entrarmos pela porta, encontrávamos um conjunto de sofás dois lugares um tanto gastos escorados na parede em L. A frente, uma mesa com maquiagens e um imenso espelho. Na lateral da mesa, ao final dela, um frigobar instalado desajeitadamente, estava repleto de bebidas alcoólicas e não alcoólicas. Em cima dele, uma tábua de frios pela metade. Ar condicionado, mini banheiro ao canto e nada mais.

O camarim apertado nada tinha a ver com a agradável atmosfera proporcionada pelo The Greek Theatre. Localizado no Griffith Park, o teatro a céu aberto em meio a um parque urbano, além de possuir uma acústica incrível, assegurava uma relação direta com o público. A recepção foi amistosa e calorosa. Ganhamos o público certo para a nossa primeira aparição.

Ryan abriu o saquinho e despejou o pó em cima da mesa. Ajeitou-o em duas fileiras com uma caneta que estava no meio dos itens de maquiagem. Tirou a tinta da caneta.

– Venha aqui Sol! – balançou a cabeça.

– O que é isso?

– Vitamina.

– Ryan, não acho que…

– Venha meu anjo! Aqui está a energia de que você precisa.

Eu estava sentado no sofá e me levantei desconfiada.

– Ryan, tem certeza que isso não irá me fazer mal! – indaguei preocupada.

– Isso só irá te fazer bem – colocou o tubo vazio da caneta em minhas mãos. – Agora inspire o pó.

Olhei para Matt e Muller e ambos me incentivaram com a cabeça.

Encarei o pó um tanto aturdida e quando eu me curvei para inspirar o conteúdo a porta do camarim abriu e Luigi entrou.

– O que estão fazendo? Está na hora de entrar novamente!

Ele levantou as sobrancelhas surpreso assim que viu o pó espalhado na mesa e eu com o tubo da caneta na mão.

– Luigi eu…eu não ia…Ryan me disse que…

Luigi fechou a cara. Com os punhos cerrados andou em minha direção batendo os pés. Tomou bruscamente o tubo de minhas mãos. Me olhou com reprovação.

– Eu…

– Sol!  – balançou a cabeça em negativa.

Olhei para o chão envergonhada.

– Se for pra fazer isso…

– Luigi eu…

– Faça logo! – enfiou o tubo no nariz e aspirou uma das fileiras do pó que estava na mesa.

Nessa hora, Matt, Muller e Ryan sorriram e aplaudiram como se aquilo tivesse sido um ato heroico.

– Eu pensei que…

– Não tem nada de mais cheirar um pouco de pó, honey bee. Como acha que consegui emagrecer?

– Com dieta e lipo e…

Luigi gargalhou.

– Venha! Pode inspirar essa fileira aqui! Vai se sentir novinha em folha. E vai te ajudar a não comer tanto. Energia e boa forma! É tudo o que você vai precisar nessa nova jornada da sua vida.

Me aproximei da mesa. Peguei o tubo da caneta das mãos de Luigi e inspirei o pó.

Ryan se aproximou de mim e me tascou um beijo, pegando-me de surpresa.

– Bem vinda ao meu mundo! Agora vamos arrasar!

Voltamos para o palco e minha energia estava a mil. Nunca havia me sentido tão bem! Cantei como nunca! Meu corpo explodia vitalidade e animação. As luzes estavam mais vibrantes e meu coração rufava como um tambor. Eu estava ali para arrasar. O público se desorientou tamanha emoção! Foi um show para nunca mais se esquecer.

Ao final fomos açoitados com efusivos aplausos. Saímos de lá em fomos direto para um bar de um conhecido de Muller comemorar o sucesso do show.

– Nunca me senti tão bem! Se quiserem, podemos fazer mais um show ainda hoje! – falei eufórica.

– Guarde suas energias para amanhã, Sol – sorriu Luigi. – Iremos para San Diego e lá teremos dois shows.

– Não vejo a hora! Essa noite foi demais! – bati palmas.

– Traga uma rodada de tequila para todos nós Brian – Muller acenou para o garçom.

– É pra já!

Em poucos minutos lá estavam as bebidas.

– Um brinde ao nosso sucesso! – Ryan levantou o pequeno copo.

Todos o acompanharam e engolimos o shot. O líquido desceu rasgando minha garganta.

– Vou ao banheiro – avisei e me levantei dançando.

Minha bexiga estava estourando. Dei a descarga e assim que abri a porta do banheiro privativo, dei de cara com Ryan. Ele me empurrou de volta e girou a trinca da porta.

– Ryan, o que você….

Ryan selou sua boca na minha enfiando a língua vorazmente em mim. Eu correspondi com assiduidade.

– Você estava incrível – falou ofegante.

– Você também!

– Não via a hora de poder enroscar meu corpo no seu. Você exala sensualidade! Seu corpo me chama em cada gesto!

– E o seu também!

Nessa hora ele puxou o cós da minha caça contra sua intimidade e comprimiu seus lábios nos meus sugando-os compulsivamente. O deleite de seu toque provocou uma explosão de desejo e meu sangue virou fogaréu absoluto dentro de mim. Com as mãos trêmulas, desabotoei sua calça.

O anelo que sentíamos um pelo outro se converteu na mais pura insanidade. Seus lábios percorreram meu pescoço e seus dedos ansiosos abriram o botão da minha calça. Podíamos ouvir o barulho das pessoas circulando pelo banheiro, mas nada iria nos impedir de possuirmos um ao outro, ali.

Ao se desvencilhar de minha calça, um puxão enérgico arrebentou minha calcinha e com um pequeno solavanco, me levantou, arremeteu para dentro de mim e se movimentou num ímpeto que me fez gritar.

Enrosquei minhas pernas ao seu redor, apoiando a ponta dos pés no assento da privada. Minhas costas batiam na porta num ritmo constante e uma explosão de prazer me fez morder o ombro de Ryan que por sua vez, abafou seu gemido em meu pescoço.

Ficamos enroscados naquela posição, respirando intensamente até alguém bater contra a porta:

– Está tudo bem aí? Moça?

Nessa hora, Ryan saiu de dentro de mim e começamos a nos ajeitar.

Ele abriu a porta e deu de cara com o rosto de uma mulher baixinha, do nariz curvilíneo e olhos convalescentes.

– Estamos ótimos! Obrigado por perguntar – Ryan respondeu com um sorriso divertido nos lábios.

A mulher imediatamente colocou ambas as mãos na boca, chocada.

– Vocês estavam…

Disparei a rir. Era para eu ter sentido um embaraço indescritível, mas não. Meu rosto estava vermelho pelo calor do momento, mas em mim não havia qualquer vergonha do que acabara de acontecer.

Ryan segurou em minha mão.

– Vamos! O mundo nos espera Sol! Tenho muito ainda o que te mostrar. Comigo você fará coisas incríveis e terá prazeres ainda mais saborosos.

Depois desse dia, mais shows vieram. Ryan me apresentou outras drogas e outras maneiras de sentir prazer. Fazíamos sexo em todos os lugares inimagináveis. Teve até uma vez que fizemos em cima do palco. Ryan combinou com o responsável pela iluminação de prolongar um pouco mais o blackout. Enquanto eu ajustava o microfone em silêncio, Ryan chegou por traz, abaixou meu short e se pôs dentro de mim.

Aquele risco de ser pega era o que me excitava.

O sucesso da banda se deu de forma lépida e logo nossa agenda estava abarrotada de show pelos Estados Unidos inteiro. Nossa banda era notícia quente em todas as mídias e passamos a ser observados com olhos de águia. Pouco tempo depois, os Estados Unidos se tornara pequeno para o nosso brilhantismo e o mundo contemplava feericamente o sucesso do All Stranger. Estávamos na rádio, na internet, na televisão. Os shows lotavam e nosso padrão de vida ficava cada vez mais faustoso. O público nos amava, e apesar de Ryan e eu tentarmos esconder nosso romance, todos torciam para que ele fosse finalmente revelado. Foi o que fizemos! Nossa foto saiu na capa de revistas do mundo inteiro e ganhamos fortunas com campanhas publicitária.

Nós não nos desgrudávamos um segundo e éramos completamente loucos um pelo outro, numa dependência incansável. Ele foi moldando minha personalidade, me mostrando a forma como eu deveria me portar. Mostrou-me que eu não devia ser boazinha com todos e que meus desejos estavam acima de tudo. Afinal, eu merecia ser mimada, ser saciada. Eu era Sol Fierce, a mais poderosa estrela da música dos últimos tempos. Sete Grammys, um acúmulo de estatuetas do American Music Awards, MTV Video Music Awards, Prêmio Pulitzer pelas composições musicais, Billboard Music Awards e mais um infinidade de premiações.

– Façam todos rastejarem a seus pés, honey bee. Você é feita de sucesso – Luigi disse ostensivo.

– Luigi tem razão. Uma mina de ouro. Ninguém pode com você meu anjo!

– Nunca vi tanto dinheiro na vida – Luigi fechou o computador que estava em seu colo.

Estávamos dentro de uma limusine indo para um show.

– Estou cansada Luigi, a gente não para – esfreguei os olhos.

Luigi lançou um olhar repressivo para Ryan.

– Dê um jeito nisso! – falou entre os dentes.

– Você cheirou o pó que te dei hoje?

– Não, acho que estou usando muito de uns tempos pra cá.

Luigi curvou a cabeça.

– Meu anjo, não tem problema. Melhor que sentir esse cansaço. Tome – tirou um saquinho do bolso – Antes de entrar no palco, inspire ok?

Ryan me abraçou e deu um beijo em minha cabeça.

– Não quero vê-la desgastada. Quero vê-la cheia de fôlego! Deixa que eu vou cuidar de você! Eu te amo!

Luigi sorriu.

– Se começar a apresentar cansaço e indisposição, os fãs não vão mais querer ir aos shows, vamos perder contratos e voltar a cantar em bar. Você não quer isso, quer honey bee?

Segurei o pacotinho entre os dedos e fiquei olhando-o. Meus fãs mereciam o meu melhor. Não podia decepcioná-los.

E quando menos vi, fui empurrada à um caminho sem volta.